Um tiro de fuzil consegue atravessar uma parede, enquanto a velocidade do disparo feito pela carabina é menor

Todos os fuzis usados por policiais militares em favelas pacificadas do Rio de Janeiro serão trocados por carabinas ainda neste semestre. A mudança foi confirmada nesta quarta-feira (14) pelo secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame. A afirmação foi feita durante a apresentação das armas não-letais, como balas de borracha e sprays de pimenta, que também serão usados pelos agentes das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

Beltrame conversa com a cúpula da PM
Anderson Dezan
Beltrame conversa com a cúpula da PM

"A ideia do armamento não letal é dar mais uma opção aos policiais. Em um segundo momento, pretendemos substituir os fuzis dessas comunidades pacificadas por carabinas ponto 30. Estamos quebrando o paradigma de território imposto por armas de guerra e, por isso, nós como Estado podemos retirar os fuzis dessas unidades pacificadas", avaliou Beltrame.

De acordo com o comandante de polícia pacificadora, coronel José Vieira de Carvalho, a previsão é de que a troca de armamento ocorra ainda neste semestre. "Em algumas comunidades, podemos hoje redimensionar a quantidade de fuzis, oferecendo outra alternativa menos letal para ficarmos de acordo com o nosso lema que é a da pacificação. Estamos tentando não ser uma contradição ao usar um armamento extremamente letal em uma unidade que prega a paz", disse o coronel.

Devido às diferenças de calibre, os fuzis são considerados pela corporação como mais devastadores. Testes apontam que um tiro de fuzil consegue atravessar uma parede, enquanto a velocidade do disparo feito pela carabina é menor. A diferença na mobilidade também é tida como ponto importante. Uma carabina com munição chega a pesar cerca de três quilos. Já um fuzil carregado pesa quase seis quilos, ou seja, o dobro.

Armas não-letais

Armas não-letais que serão usadas pela PM
Anderson Dezan
Armas não-letais que serão usadas pela PM

A Polícia Militar deu início nesta quarta-feira ao treinamento de armas não-letais para os soldados lotados nas Unidades de Polícia Pacificadora. O manuseio nas armas será ensinado por soldados do Batalhão de Choque. A previsão é de que todos os 800 policiais das seis UPPs já existentes, mais os cerca de 200 agentes que devem ocupar a unidade no Morro da Providência, recebam o treinamento.

"Eles vão carregar o tipo de arma que demandar a situação", afirmou o comandante do Batalhão de Choque, tenente coronel Robson Rodrigues. "Temos que ensinar os policiais para que eles saibam os momentos certos para utilizar esse armamento", completou.

Segundo o comandante do BPChoque, os policiais das UPPs devem utilizar o armamento não-letal em ações turbulentas onde não haja criminalidade aparente, como rixas entre pessoas e protestos. Entre as armas que serão utilizadas, estão teasers (armas de pulsos eletromagnéticos), gás de pimenta, granadas de efeito moral e agentes lacrimogêneos.

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