RIO (Reuters) - O presidente da Eletrobrás, José Antônio Muniz Lopes, afirmou que Furnas está comprando a participação da empresa de energia com sede na Holanda Gallway na usina hidrelétrica Serra do Facão, em Goiás, para viabilizar a construção da obra que faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A inadimplência da Gallway junto ao BNDES, segundo Muniz Lopes, estaria dificultando a liberação do empréstimo no valor de 540 milhões de reais. Serra do Facão terá capacidade para gerar 210 megawatts.

"Furnas comprou a participação da Gallway na SPE (Sociedade de Propósito Específico que pediu o empréstimo) e na usina de Serra do Facão", limitou-se a dizer Muniz a jornalistas em um congresso de energia no Rio sem dar detalhes.

Ele disse que o pedido ao BNDES será reformulado, devido à mudança societária, mas não deixou claro se o valor também seria revisto.

"Estamos em entendimento bem avançado para o novo pedido", disse, prevendo para dezembro a entrega da nova demanda ao banco.

Segundo o executivo, a Gallway detinha participação de 25,1 por cento na usina Serra do Facão e 50,1 por cento na Sociedade de Propósito Específico (SPE), criada para obter financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social

(BNDES).

O executivo disse ainda que está pleiteando junto ao Banco Mundial um empréstimo de 550 milhões de dólares para a reestuturação das distribuidoras de energia federalizadas que passaram a integrar o balanço da Eletrobrás no terceiro trimestre, todas com prejuízo. Até o momento, a empresa disse ter recebido apenas 380 mil dólares desse empréstimo do Bird.

Muniz lopes afirmou ainda que a crise não vai alterar os projetos da Eletrobrás e que até janeiro a companhia deverá divulgar o seu plano decenal.

"Estamos com fluxo de caixa garantido e nossos projetos para 2009 e 2010 estão garantidos", declarou.

Entre os possíveis projetos estarão as usinas do Complexo Hidrelétrico de Tapajós, no Pará, que deverá ir a leilão em 2010. Ao todo são cinco usinas com capacidade para 10.600 megawatts, sendo as principais unidades as de São Luiz do Tapajós, com 6 mil megawatts, e de Jatobá, com 1.800 megawatts.

"O inventário sobre esse complexo já foi entregue à Aneel, fechamos uma parceria com o Ibama para que a licença seja dada para as cinco usinas ao mesmo tempo, como foi feito no Madeira", disse Muniz Lopes.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

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