Funk domina passeata no Rio contra redivisão de royalties

Em vez de discurso e argumentação política, o comício realizado neste momento na Cinelândia, no Rio, para protestar contra a emenda Ibsen, que redistribuiu royalties do petróleo, está sendo movido pelo funk. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, abriu os trabalhos dizendo que o evento não é para ser de discursos e decretou: libera DJ.

iG Rio de Janeiro |

  • Rio não perderá os royalties. Cabral já foi informado
  • Acompanhe o trânsito no Rio em tempo real
  • Veja galeria com as fotos da passeata

  • André Durão
    Cabral durante passeata no Rio

    Cabral durante passeata no Rio

    Em seguida, começou a tocar um funk composto especialmente para o evento, cuja letra diz "pré-sal é nosso sim. É do nosso povão. Não adianta olho grande e ambição." Até agora, nenhum político discursou, mas, apesar da chuva intensa, uma multidão se aglomera diante do palco na Cinelândia, onde está montando um palco, ao som de muito funk.

    A emenda Ibsen prevê a divisão igualitária dos royalties provenientes da exploração do pré-sal entre Estados e municípios do País, ao invés de privilegiar as localidades produtoras de petróleo, como o Rio de Janeiro. De acordo com o comandante geral da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio, cerca de 100 mil pessoas participam do protesto.

    O governador Sérgio Cabral (PMDB) apareceu no palco com um grande número de políticos entre aliados, e adversários, como a prefeita de Campos, Rosinha Garotinho (PMDB).

    Também está presente o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), e os três senadores fluminenses, que terão a missão de reverter a emenda no Senado. O evento conta ainda com a presença de Marcelo Crivella (PRB), Francisco Dornelles (PP) e Paulo Duque (PMDB). O senador capixaba Magno Malta também veio ao Rio para participar da comício.

    O protesto conta ainda com membros das prefeituras de Campos dos Goytacazes, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Duque de Caxias, Belford Roxo e Quissamã, um dos mais prejudicados pela emenda. Representantes da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio (OAB-RJ) e do movimento GLBT também já marcam presença.

    André Durão

    Drag queen partipa de manifestação contra a emenda Ibsen

    Isso é revoltante! É um abuso retirarem os royalties do Rio. Esse é um direito do Estado, disse a drag queen Eula Rochard, conselheira estadual do movimento GLBT, completando que mais de 800 pessoas do movimento gay estarão presentes no ato.

    Alguns grupos carregam bandeiras de partidos políticos aliados do governador, mas, o evento também conta com a presença de adversários políticos de Cabral. O deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) discursou para simpatizantes à frente da concentração usando um megafone.

    Um grupo da juventude PSDB abriu uma faixa com os dizeres: "Não adianta chorar. Quem mandou confiar no Lula", numa referência à confiança de Cabral no veto do presidente da República e na emoção que ele revelou ao chorar em um evento após a aprovação da emenda. Além de usar camisetas com o slogan da campanha "Contra a Covardia em Defesa do Rio", muitos participantes estão recebendo bandeiras do Estado do Rio distribuídas por funcionários da secretaria estadual de governo.

    Segurança

    Mais de quatro mil policiais militares fazem a segurança na passeata , que teve início na Candelária e seguiu até a Cinelândia. Por causa do manifesto, o centro do Rio tem um esquema especial de trânsito. Segundo a prefeitura, painéis de mensagens variáveis foram posicionados em vários pontos da cidade, orientando os motoristas em relação às interdições e à passeata. Cerca de 280 agentes da Guarda Municipal e 50 agentes de tráfego da CET-Rio trabalham na região impactada pelas interdições. Veja aqui as mudanças no trânsito .

    André Durão
    Passeata

    Manifestantes fazem velório pela morte política de Ibsen no Rio

    Barulho

    A estratégia da passeata desta quarta-feira é fazer barulho e pressionar o Senado para derrubar a emenda Ibsen, aprovada na Câmara. Caso passe no Senado, segundo Cabral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já assumiu o compromisso de que vai vetar o projeto. Se a estratégia não der certo, avisou o governador, o Estado deve recorrer ao Supremo Tribunal Federal. Cabral e seus aliados argumentam que a emenda aprovada na Câmara é inconstitucional.

    Com a emenda, o município de Campos dos Goytacazes pode perder R$ 800 milhões de royalties do petróleo, ficando com cerca de R$ 100 milhões. Em Macaé, a receita deve cair de R$ 400 milhões para R$ 2 milhões. Cabo Frio, de R$ 120 milhões para R$ 2 milhões. Abalada no início do ano pelas chuvas que atingiram a cidade, Angra dos Reis pode ver a receita minguar de R$ 90 milhões para R$ 3 milhões. 

    (*com reportagem de Anderson Dezan, do iG Rio de Janeiro, e informações da Agência Estado)

    Leia também:


    Leia mais sobre: Emenda Ibsen

      Leia tudo sobre: petroleo

      Notícias Relacionadas


        Mais destaques

        Destaques da home iG