Categorias de funcionários públicos estaduais fizeram hoje uma grande manifestação por reajustes salariais em Belo Horizonte, na Cidade Administrativa do governo mineiro. Foi o primeiro ato realizado no centro inaugurado pelo governador Aécio Neves (PSDB) no dia 4.

Um forte aparato policial foi montado para isolar o complexo de prédios. O protesto foi organizado por sindicatos ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT), Coordenação de Lutas (Conlutas), entre outros, reunindo principalmente servidores da educação, saúde e segurança pública. Os organizadores calcularam em três mil e a Polícia Militar entre 1,5 mil e dois mil o número de manifestantes.

Com apitos, faixas e bandeiras, os servidores fecharam uma das pistas da MG-10 no sentido Lagoa Santa-capital mineira e depois se concentraram em frente ao auditório do centro. Os manifestantes foram recebidos por esquema rígido de segurança. O conjunto de edificações - projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer - ficou protegido por um cordão de cerca de 400 policiais militares e grades de segurança. Eles circundaram a pista no entorno da nova sede administrativa. De acordo com o Batalhão de Eventos da PM não houve incidentes durante a manifestação.

A coordenadora-geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE) de Minas, Beatriz Cerqueira, acusou o governo estadual de pagar "o oitavo pior salário do País". A categoria ameaça entrar em greve. Outros protestos estão previstos para os próximos dias.

A Superintendência de Imprensa do governo mineiro divulgou nota na qual classificou o posicionamento dos manifestantes "como de natureza meramente política" e disse que as normas de segurança são para assegurar à sede oficial, a seus funcionários e ao patrimônio que abriga, "condições adequadas de funcionamento".

A administração estadual tem sido alvo de outras reivindicações. Os médicos do Pronto Socorro do Hospital João 23, em Belo Horizonte, entraram hoje no segundo dia de paralisação. Os servidores ameaçam suspender totalmente os atendimentos da maior unidade de urgência e emergência do Estado.

Concessões

Aécio não esteve hoje no centro administrativo. Após uma visita à cidade de Pouso Alegre, o governador despachou no Palácio das Mangabeiras, residência oficial, onde recebeu a vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe, Pamela Cox. No sul de Minas, porém, ele sinalizou com a possibilidade de conceder reajuste ao funcionalismo antes de se desincompatibilizar do cargo.

"Nós estamos discutindo com a serenidade de sempre, no limite da Lei de Responsabilidade Fiscal e da capacidade financeira do Estado", afirmou. "Provavelmente na próxima semana eu tenha ainda condições de dar uma sinalização positiva para os servidores". Para o governador, sua administração foi a que mais respeitou os servidores. "Nós introduzimos uma verdadeira revolução na gestão pública em Minas Gerais, valorizando o desempenho, valorizando o mérito".

Na reta final de seu governo, Aécio encaminhou para a Assembleia Legislativa um verdadeiro pacote de benesses para o funcionalismo público estadual. Entre os projetos encaminhados pelo Executivo está uma proposta que dobra o prêmio pago por produtividade.

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