Funcionários do Hospital do Fundão fecham a Linha Vermelha no Rio

RIO DE JANEIRO ¿ Médicos, professores e alunos que atuam no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), na Ilha do Governador, interditaram, na manhã desta sexta-feira, a pista sentido Baixada Fluminense da Linha Vermelha, na altura do Fundão.

Redação |

Cerca de 400 manifestantes, com faixas e cartazes, exigem bolsa auxílio para estudantes e melhorias na infra-estrutura da unidade, que enfrenta problemas como a falta de insumos médicos e material básico para cirurgias.

Transplantes, exames médicos como coletas de sangue e consultas estão suspensos pela falta de condições operacionais. A direção do hospital afirma que há uma defasagem orçamentária desde 2004 nos valores repassados pelo governo federal para a universidade e um endividamento de R$ 10 milhões. O Clementino Fraga Filho não tem orçamento próprio e vive da prestação de serviços ao Sistema Único de Saúde (SUS).

O diretor do hospital, Alexandre Pinto Cardoso, se reuniu, na última terça-feira, com representantes do Ministério da Educação, em Brasília, para tentar solucionar o problema. Ficou previsto extra-oficialmente um aumento de 15% para o orçamento de procedimentos de alta complexidade, como transplante hepático e cirurgias do coração.

O montante, de R$ 500 mil a mais, por mês, é considerado insuficiente pela administração da unidade. Com o aumento do repasse, o teto para procedimentos de alta complexidade passa a ser de R$ 2,33 milhões.

Está prevista uma nova reunião da administração do Clementino Fraga Filho com o Ministério da Educação na próxima semana, quando será discutida a abertura de um concurso público para a contratação de novos profissionais para compor o quadro profissional do hospital, que é considerado de referência em procedimentos de alta complexidade, e um aumento dos repasses. 

O quadro da unidade de saúde, de acordo com testemunhas e com representantes da equipe médica, é precária: apenas um equipamento de radio-x, dos dez disponíveis, de está funcionando; não há material para a realização de hemogramas e somente cirurgias marcadas anteriormente estão sendo efetuadas.

Na última terça-feira, a coordenadora de regulação do SUS, Márcia Freitas, informou que o quadro que caracteriza a situação do hospital é o de má gestão. Faltar insumo, sangue, fio de sutura, acho que isso é questão de gestão local, criticou.

Unidade referência

O HUCFF realiza 25 mil consultas mensais e conta com um corpo médico formado por 3,5 mil profissionais. O Hospital realiza mais de 108 mil intervenções especializadas, 10 mil procedimentos de alta complexidade e tem um índice médio de 75% de taxa de ocupação. Aliando ensino, pesquisa e prestação de serviço, em 2007, o HUCFF ultrapassou a marca de consultas ambulatoriais realizadas em todo o ano de 2006, atingindo mais de 20.900 atendimentos em suas 49 especialidades médicas.

Entre os procedimentos de alta complexidade (transplantes de órgãos, terapias com células-tronco, cirurgia bariátrica etc), o número ultrapassou os 10 mil, resultado bem superior à meta de pouco mais de 7 mil. Recentemente, o Hospital foi o credenciamento pelo MS para realização da cirurgia em fendas lábio-palatais em adultos, segundo tipo de má-formação facial mais freqüente no Brasil.

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