Funcionários da Universidade de São Paulo encerram greve

SÃO PAULO - A greve iniciada no dia 5 de maio pelos funcionários da Universidade de São Paulo (USP) terminou nesta terça-feira, após algumas das reivindicações serem aceitas pela reitoria da instituição. Os funcionários devem voltar ao trabalho nesta quarta-feira.

Redação |


Em Assembleia realizada nesta terça, os professores da USP decidiram suspender a greve, da qual participavam desde 9 de junho.

Segundo Magnu de Carvalho, diretor de base do Sindicato dos Funcionários da USP (Sintusp), foi assinado um acordo razoavelmente bom para a categoria.

AE
Grevistas fizeram manifestações na capital paulista

O plano de carreira da USP foi cancelado e será feita a análise de propostas dos próprios funcionários. Além disso, o ensino à distância não será implantado na universidade este ano.

Houve um aumento salarial de 6,05%, que já havia sido feito pela reitoria durante a greve: o auxílio alimentação dos funcionários subiu de R$ 320 para R$ 400, retroativos ao mês de maio. Entretanto, o sindicato avisa que a discussão sobre o índice de aumento será retomada em setembro. No início da greve, a reivindicação era de 16%, mais uma parcela fixa de R$ 200.

Um novo benefício também foi criado, agora os funcionários que tiverem dependentes com necessidades especiais terão um "auxílio educação especial" de R$ 422 mensais para complementar os gastos com este dependente, até que ele complete 18 anos.

De acordo com nota da reitoria, será instalada uma comissão formada por representantes da Reitoria e dos servidores, que tratará de temas específicos relacionados à área de saúde.

Outra cláusula da pauta de negociações que deverá ser decidida é a reintegração do ex-funcionário Claudionor Brandão, exonerado pela reitoria em dezembro do ano passado.

De acordo com o Sintusp, também houve o comprometimento da reitoria de não descontar os dias parados durante a paralisação e que não haverá perseguição ou demissão de nenhum grevista. Segundo a reitoria, haverá reposição dos dias parados na forma de trabalho-atividade.

Os alunos devem fazer uma assembléia nesta noite para decidir se continuam em greve. Professores da Unesp também deverão realizar suas próprias assembleias. Na Unicamp, professores e funcionários voltaram ao trabalho na semana passada.

Histórico

As paralisações na Universidade de São Paulo começaram com a reivindicação de aumento salarial dos funcionários no dia 5 de maio. Mas, após o confronto entre a Polícia Militar e manifestantes na Cidade Universitária , que ocorreu dia 9 de junho, a greve ganhou a adesão dos professores e alunos e apresentou novas reivindicações.

A principal delas, consenso entre os três setores, é a renúncia da reitora Suelly Vilela. No último dia 16, houve um ato a favor da greve com a presença dos professores Antonio Cândido e Marilena Chauí .

A verba destinada à USP é proveniente da arrecadação do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS). Do total do ICMS, 9,7% é dividido entre as universidades estaduais de São Paulo ¿ USP, Unesp e Unicamp. A USP fica com cerca de 5%. Em 2007, arrecadou quase R$ 2,4 bilhões.

Caso fosse aprovado o aumento de 16% exigido pelos grevistas, o piso salarial de um professor doutor passaria de R$ 6.707 para R$ 7.337. Já de um Livre Docente, iria de R$ 7.997 para R$ 8.747. Entre os funcionários, o piso de um auxiliar de manutenção/obras, que é de R$ 1.136, iria para R$ 1.242. O mesmo vale para o cozinheiro. Já o jornalista ou bibliotecário da USP, que ganha, no mínimo, R$ 3.323, elevaria seu salário para R$ 3.635. Um secretário, que pode ganhar de R$ 1.678 a R$ 4.676, passaria a ganhar ao menos R$ 1.836.


*Com informações da Agência Estado

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