Funcionário da Fundação Sarney recebe salário do Senado

O servidor Raimundo Nonato Quintiliano Pereira Filho, lotado no gabinete do senador Edison Lobão Filho (PMDB-MA), apesar de receber um salário de cerca de R$ 3 mil do Senado é funcionário da Fundação José Sarney, em São Luís do Maranhão. Na página da internet da instituição ele é apresentado como coordenador de projetos.

Severino Motta, repórter em Brasília |


A reportagem entrou em contato com o gabinete de Lobão mas não conseguiu falar com o senador. Ao perguntar sobre Quintiliano para a secretaria, a atendente indagou se a ligação havia sido feita para o gabinete correto. Ao afirmar que sim ela pediu alguns instantes e fez a mesma indagação. Com nova resposta positiva ela pediu mais um instante e cerca de um minuto depois disse que Quintiliano não estava, havia saído a pouco do gabinete.

Quintiliano foi admitido no Senado em 1995, quando José Sarney
(PMDB-AP) no primeiro mandato de Sarney como presidente da Casa. Ele foi lotado num cargo comissionado no gabinete do senador Edison Lobão (PMDB-MA), que agora é ministro de Minas e Energia. Como seu filho era seu suplente, a cadeira de senador foi herdada e Quintiliano continuou contratado pelo gabinete.

A Fundação José Sarney abriga o memorial do ex-presidente da República e conta com um acervo de documentos e imagens da presidência. Até mesmo o carro oficial que Sarney usou quando era o líder do Executivo está na Fundação.

Sua sede é no Convento das Mercês, erguido no século XVII pela Real Sagrada e Militar Ordem Calçada de Nossa Senhora das Mercês e da Redenção dos Cativos. Os cofres públicos gastaram cerca de R$ 9,5 milhões para restaurar o patrimônio, que se encontrava degradado nos anos 80.

Em 1990 ele foi doado a Sarney através de uma Lei do então governador Epitácio Cafeteira (PTB-MA). Este mesmo senador foi quem contratou o neto de Sarney para trabalhar em seu gabinete. Parte do processo se deu por atos secretos do Senado.

Apesar da doação, no último dia 15 a Justiça Federal resolveu anular,  pedido do Ministério Público no Maranhão, a Lei que entregou o patrimônio a Sarney, uma vez que o Decreto-Lei 25 de 1937 proíbe a doação de bens tombados a entidades privadas.

Agência Senado
O presidente do Senado, José Sarney, durante discurso nesta segunda-feira

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