Funcionárias de clínica de aborto do MS serão julgadas

A morte prematura da anesteologista Neide Mota, 52 anos, não impedirá a realização de júri popular para julgamento dos crimes de aborto a ela atribuídos pelo Ministério Público Estadual (MPE). O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS) negou recurso do advogado de defesa, Ewerton Belilinati, e a decisão de cancelar ou não júri está no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Agência Estado |

Caso o STJ confirme a pronúncia do TJ-MS, irão a júri popular as funcionárias da ex-médica, Rosângela de Almeida, Maria Nelma de Souza, Libertina de Jesus Centurion e a psicóloga Simone Aparecida Cantagessi de Souza. Neide teve o diploma de médica cassado pelo Conselho Regional de Medicina, em julho deste ano. São quase 10 mil fichas de clientes que passaram pela clínica da falecida, durante os 20 anos de existência do estabelecimento.

Entretanto, apenas 25 estão configurando como provas do MPE no processo que tem mais de 2 mil páginas. "Minha cliente não participou de nenhum desses 25 casos. Não há provas no processo quanto a isso. Fez aborto, cadê o feto?", defende Bellineti.

O advogado disse não saber se sairia vitorioso do provável júri, observando que "júri é júri. Eu preciso ter quatro votos contrários às acusações para ganhar a causa". Ele descreve Neide Mota como uma pessoa extrovertida, otimista e alegre. "Na última quinta-feira, dois dias antes de ter sido encontrada morta dentro do carro, ela esteve no meu escritório. Era a mesma pessoa de sempre".

Por volta de 16h do sábado, a ex-médica, saiu da chácara localizada na periferia de Campo Grande, onde morava com a mãe, e foi até a chácara vizinha buscar leite de cabra, como fazia todos os dias. Na porta do vizinho, parou o carro e ficou agonizando. Empregados do local correram para socorrê-la, mas quando chegaram ao automóvel, ela já estava morta.

Para os médicos da Associação dos Anesteologistas de Mato Grosso do Sul, é muito difícil um especialista 'do nível de Neide Mota, cometer suicídio com Lidocaína, indicado para anestesias locais, principalmente por cirurgiões dentistas. "Precisaria muita Lidocaína, uma dose cavalar
mesmo", comentou um deles. Um frasco do produto foi localizado no carro em que Neide estava, com uma seringa hipodérmica de 10cc segura na mão direita e outra de 2 cc no colo.

O delegado da Polícia Civil, Divino Furtado de Mendonça, que preside o inquérito sobre o caso, está trabalhando com a hipótese de homicídio, até que os exames necrológicos fiquem prontos. "Não existem ainda, elementos que possa determinar uma pista entre homicídio e suicídio. Estamos trabalhando com o que temos atualmente. Vamos aguardar as análises".

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