Funcionária diz que esqueceu de registrar bolão no Rio Grande do Sul

O delegado Clóvis Nei da Silva, que investiga a suposta fraude em um bolão da Mega-Sena realizado em uma lotérica de Novo Hamburgo (RS), ouviu nesta quinta-feira a funcionária que, segundo o proprietário do estabelecimento, esqueceu de registrar a aposta com os números sorteados em concurso do último fim de semana.

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

Em depoimento que durou cerca de três horas, a funcionária Daiane Samar da Silva confirmou que cometeu erro ao tentar registrar a aposta.

É ela que aparece em imagens do circuito interno da lotérica, divulgadas pelo dono, José Paulo Abend, entrando no estabelecimento atrás do comprovante do jogo, no sábado à noite. As imagens dão a entender que a mulher encontra o comprovante sob a gaveta do caixa e, ao supostamente reconhecer seu equívoco, se desespera e chora.


Funcionária chega à 2º Delegacia de Polícia do município / AE

As imagens, segundo a defesa de Abend, provam que não houve má-fé por parte da lotérica.

A polêmica veio à tona depois que um grupo de cerca de 40 apostadores reivindicou o prêmio, de cerca de R$ 53 milhões, sorteado no último sábado no concurso 1.155 da Mega-Sena. Apesar de terem acertado as dezenas, os jogadores não têm direito ao dinheiro porque a aposta não foi registrada.

O objetivo dos apostadores é o ressarcimento pelo que deixaram de ganhar e uma indenização por danos morais, o que deve ser buscado na Justiça.

AE
Frustrados, apostadores reivindicam prêmio de R$ 53 milhões

A Polícia Civil de Novo Hamburgo investiga se Abend reteve o dinheiro das apostas, em vez de repassá-lo para a Caixa Econômica Federal (CEF), que administra o jogo.

Apesar das imagens, e dos depoimentos, o delegado afirma que vai aguardar o fim do inquérito para manifestar se houve ou não estelionato.

Ele disse ao iG que os vídeos serão anexados no inquérito, que deve ser encerrado num prazo de 30 dias.

Ela diz que houve erro humano. Agora vou anexar o conjunto para fazer o contexto, com os depoimentos um a um. A imagem, por si só, não diz [se não houve má-fe]. Vamos continuar a trabalhar, disse.

Ele afirmou ainda já ter ouvido a maioria dos apostadores. O depoimento dos servidores da Caixa, além de funcionários e do proprietário da lotérica, também serão usados no inquérito.

Os investigadores estão analisando se outros bolões deixaram de ser computados de maneira proposital. Se a fraude for descoberta, os responsáveis responderão pelo crime de estelionato.

Até a tarde de ontem, nenhum dos apostadores havia procurado o Procon. Segundo o coordenador executivo do órgão em Novo Hamburgo, Vinícius Scheva, a Procuradoria Geral do município instruiu que se instale um processo administrativo para verificar o papel da lotérica.

O estabelecimento infringiu o código de defesa do consumidor ao cobrar por um serviço que não foi realizado. Se constatado a prática irregular, pode ser aplicada uma multa. O Procon não vislumbra responsabilidade por parte da CEF.

Com informações da Agência Estado.

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