Funai vê desfecho pacífico para Raposa Serra do Sol

BRASÍLIA - Embora entidades indígenas receiem por mais conflitos com arrozeiros em Raposa Serra do Sol, caso a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) confirme a demarcação contínua das terras, a Fundação Nacional do Índio (Funai) reafirma que o julgamento previsto para esta quarta-feira deverá por fim à disputa que já dura quase dez anos.

Carollina Andrade - Último Segundo/Santafé Idéias |

Segundo o coordenador-geral de identificação e demarcação de terras indígenas da Funai, Paulo Santilli, o julgamento acontece no momento certo, em que a grande maioria dos posseiros já foi indenizada e assentada em outras regiões. Acredito que não haverá mais conflitos. Acho que a desocupação acontecerá de forma pacífica. Os arrozeiros terão seus interesses recompensados. Então, não há por que esperar novos conflitos, disse Santilli. 

Desde 1999, famílias têm sido retiradas pela Funai para a demarcação contínua de cerca de 1,747 milhão de hectares ao norte do estado de Roraima, onde vivem aproximadamente 18 mil indígenas de cinco etnias: Makuxi, Taurepang, Wapixana, Ingarikó e Patamona. 

Entretanto, o impasse em torno da homologação tem provocado conflitos entre índios e arrozeiros e, para o coordenador-geral do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Dionito José de Souza, novos embates devem ocorrer na área, seja qual for o resultado do julgamento no STF.

A resistência parte dos invasores, mais especificamente do terrorista Paulo César Quartiero [prefeito de Pacaraima e líder dos fazendeiros]. Ele já fez o diabo na região. Matou índios, colocou fogo em casas, soltou bombas. Então, é claro que tememos pelo pior por parte dele. Não queremos conviver com bandido, ressaltou.

Em entrevista ao Último Segundo, Quartiero declarou que não liderou resistência armada, mas alertou para a possibilidade de ocorrência de outros conflitos. Segundo ele, se a Corte determinar a retirada dos não-índios, haverá resistência dos arrozeiros dentro da lei.

O assessor político do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Paulo Maldos, também desconfia de um desfecho pacífico para a desocupação. Receio pelo resultado e por mais conflitos na região. Já sabemos que eles [arrozeiros] são capazes de coisas terríveis, disse. Para Maldos, a região só se tornará tranqüila com a saída dos arrozeiros.  

Quanto à previsão otimista da Funai, ela se baseia no fato de o julgamento no STF ser a última etapa de processos envolvendo as terras. Já foi feito o estudo da região, o reconhecimento da terra, o registro dela e a indenização dos não-índios. Logo, acredito que o julgamento irá ocorrer em torno de um processo já administrado, conclusivo e que desperta grande expectativa, acrescentou.

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