¿Fui sempre maltratado aqui¿, desabafa Júlio Bressane, homenageado em Gramado

GRAMADO ¿ As primeiras palavras do diretor Júlio Bressane no 36º Festival de Cinema de Gramado foram uma espécie de desabafo. ¿Sempre tive meus filmes recusados, fui sempre muito maltratado aqui¿, afirmou. Ele será homenageado hoje, no Palácio dos Festivais, com o troféu Eduardo Abelin por sua obra.

Fabio Prikladnicki |

O Festival de Gramado havia morrido. Então entrou um grupo novo para tirá-lo da cova, da sepultura, e foi desse grupo que aceitei a homenagem, explicou, em referência aos curadores do evento nos últimos três anos, José Carlos Avellar, que estava a seu lado, e Sérgio Sanz.

Citando filosofia francesa, psicanálise e mitologia, ele falou sobre seus mais recentes filmes. Dois deles estão sendo exibidos na programação paralela do festival: o longa Cleópatra, que reconta o mito da rainha egípcia, e o curta Passagem em Ferrara, que teve origem em uma visita ao túmulo do cineasta italiano Michelangelo Antonioni, por quem Bressane nutre profunda veneração. Ele foi, pra mim, um Deus, afirmou. Prolífico, o diretor anunciou ainda um outro projeto, chamado A Erva do Rato, baseado nos contos A Causa Secreta e Um Esqueleto, de Machado de Assis.

Aos 62 anos, o diretor de clássicos como Matou a Família e Foi ao Cinema (1969) também desdenhou o rótulo de cineasta marginal, com o qual foi freqüentemente referido. Sou simpático à idéia da margem, mas não disso que chamam de cinema marginal. O Brasil já é uma margem, disse.

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