Franceses dizem que Brasil demorou a dar alerta do 447

No primeiro relatório sobre a tragédia com o voo 447 da Air France sobraram críticas ao que foi classificado como “demora” do controle de voo do Brasil em perceber o desaparecimento do avião - o que teria provocado um atraso de “uma ou duas horas” nas operações de busca. Segundo o Escritório de Investigações e Análises sobre a Aviação Civil (BEA), controladores de voo do Brasil não teriam transferido o voo 447 para as autoridades senegaleses, responsáveis pelo monitoramento do trajeto a partir do ponto virtual Tasil, no Oceano Atlântico.

Agência Estado |

Os brasileiros teriam feito apenas a primeira etapa do protocolo, a coordenação, que consiste em passar dados sobre o plano de voo e dizer que a aeronave se aproximava da área controlada pelo Senegal. O A330 da companhia francesa, que estava programado para fazer a rota Rio de Janeiro-Paris, caiu no dia 31 de maio no Oceano Atlântico, matando todas as 228 pessoas a bordo.

“A transferência não foi feita e os serviços de controle (de voo) não se preocuparam”, acusou Alain Bouillard, responsável pela investigação. “Foi somente algumas horas depois que, na ausência de contato, os diferentes mecanismos de controle foram ativados. Às 7h30 (2h30 em Brasília) é que se deram conta de que o avião não estava nem em contato com o Brasil nem com Dacar (capital do Senegal).” Bouillard evitou, no entanto, culpar um dos dois países pelo problema. “Não se pode falar em erro, mas em uma disfunção, que o BEA está investigando. Hoje, trabalhamos pela segurança e não para determinar responsabilidades."

Autópsias

Não é a primeira vez que o BEA reclama de autoridades brasileiras. No mês passado, o diretor do BEA, Paul-Louis Arslanian, já havia se queixado publicamente sobre o fato de um legista francês ter sido impedido de acompanhar as autópsias, o que gerou reação imediata da Polícia Federal.

Bouillard reiterou ontem as queixas. “É algo que nos falta, não temos dados sobre o resultado das autópsias. Ele nos traria informações que poderiam confirmar algumas hipóteses”, disse Bouillard, esclarecendo que o pedido às autoridades brasileiras já foi feito e agora os investigadores aguardam as análises. “Elas virão, com atraso, mas virão.” O chefe das investigações só não quis comentar a decisão do Brasil de suspender as buscas por destroços. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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