Francês Le Clézio é o vencedor do Nobel de Literatura

ESTOCOLMO ¿ O romancista Jean-Marie Gustave Le Clézio, de 68 anos, considerado um dos mestres da literatura contemporânea francesa, é o vencedor do prêmio Nobel de Literatura de 2008.

Redação com agências |

Acordo Ortográfico A premiação foi anunciada na manhã desta quinta-feira pelo secretário permanente da Academia Sueca, Horace Engdahl. A entidade justificou sua escolha afirmando que Le Clézio é um autor de "novas experiências, aventura poética e empolgação sensual, um explorador da humanidade além e abaixo da civilização atual". Ele é o primeiro francês a ganhar o prêmio desde Claude Simon, em 1985.

"Como jovem escritor", disse a academia, "ele foi encantador, tentou elevar as palavras acima do estado degenerado do discurso corriqueiro e restaurar seu poder de evocar uma realidade essencial".

"A ênfase no trabalho de Le Clézio tem se movido, de forma crescente, na direção da exploração do mundo infantil e sua própria história familiar", escreveu a academia.

Francês Jean-Marie Le Clézio / AFP

Sem surpresa

Le Clézio há anos é cotado para o prêmio, o que não tornou a premiação tão surpreendente quanto no ano passado, quando a britânica Doris Lessing foi escolhida. O nome do autor francês circulava com insistência pelos bastidores e era uma das apostas dos veículos culturais suecos, tanto é que em junho recebeu no país o prêmio literário Stig Dagerman.

Ao ficar sabendo da notícia, o autor se declarou muito emocionado, em entrevista a uma rádio sueca. "É uma grande honra para mim", afirmou, acrescentando que agradecia "com toda sinceridade" à Academia Sueca.

Formado em literatura francesa, Le Clézio se tornou famoso aos 23 anos, quando publicou seu primeiro romance, o premiado "Le Procès-Verbal", em 1963. Desde então, produziu mais de 30 livros, entre ensaios, novelas e contos, além de traduzir obras da mitologia hindu. Também tem diversos trabalhos dedicados ao público infantil.

Um viajante, Le Clézio viveu durante a infância na Nigéria, o que serviu de inspiração para sua carreira literária. Casado com uma marroquina, morou por vários anos no México e na América Central, experiência que também povoa suas obras desde então, em especial o engajamento ecológico.

Engdahl, falando na coletiva de imprensa na qual foi anunciado o vencedor, disse sobre Le Clézio: "Seus trabalhos têm um caráter cosmopolita. Francês, sim, mas muito mais um viajante, um cidadão do mundo, um nômade".

No Brasil, tem publicados "O Deserto" e "À Procura do Ouro", pela editora Brasiliense (ambos fora de catálogo), "O Africano", pela Cosac Naify, e "O Peixe Dourado" e "A Quarentena", pela Companhia das Letras. Sua última obra, "Ritournelle de la faim", permanece inédita no País. Atualmente, Le Clézio vive entre a cidade de Albuquerque, no Novo México (EUA), as ilhas Maurício e Nice, na França.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, saudou com um "imenso orgulho" a notícia do prêmio concedido a Le Clézio, a quem dirigiu suas "mais calorosas felicitações em nome de todos os franceses". "Este é a recompensa mais prestigiosa que um escritor pode receber, e que honra a França e a língua francesa", acrescentou.

Le Clézio receberá o prêmio de US$ 1,4 milhão, uma medalha de ouro e será convidado a proferir uma palestra na capital sueca. A cerimônia de entrega do Prêmio Nobel de literatura acontecerá em Estocolmo no dia 10 de dezembro ¿ data da morte de Nobel, em 1896 ¿ junto com os ganhadores de medicina, química, física e economia.

Conheça as principais obras de Jean-Marie Le Clézio:

- "Le procès-verbal", 1963
- "La fièvre", 1965
- "Terra Amata", 1967
- "Lullaby", 1970
- "La guerre", 1970
- "Voyages de l'autre côté", 1975
- "Les prophéties du Chilam Balam", 1976
- "L'inconnu sur la terre", 1978
- "Mondo et autres histoires", 1978
- "O Deserto ("Désert"), 1980, publicado no Brasil
- "Relation de Michoacan", 1984
- "Le chercheur d'or", 1985
- "Voyage à Rodrigues", 1986
- "Le rêve mexicain ou la pensée interrompue", 1988
- "Printemps et autres saisons", 1989
- "Onitsha", 1991
- "Etoile errante", 1992
- "A Quarentena" ("La quarantaine"), 1995, publicado no Brasil
- "Diego et Frida", 1985
- "Peixe Dourado" ("Poisson d'or"), 1996, publicado no Brasil
- "Révolutions", 2003
- "O Africano" ("L'Africain"), 2004, publicado no Brasil
- "Ourania", 2006
- "Ballaciner" (2007)
- "Ritournelle de la faim" (2008)

* Com France Presse e Reuters

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