França intercede por Polanski diante de autoridades suíças

Paris, 27 set (EFE).- O ministro de Assuntos Exteriores francês, Bernard Kouchner, interveio perante a ministra de Exteriores suíça, Micheline Calmy-Rey, para pedir que se garanta o respeito dos direitos do diretor de cinema franco-polonês Roman Polanski, detido na Suíça.

EFE |

O Ministério de Exteriores francês publicou hoje uma nota na qual indica que Kouchner falou com Calmy-Rey para expressar "o desejo das autoridades francesas de que os direitos do senhor Polanski sejam plenamente respeitados e que este assunto encontre rapidamente uma saída propícia".

A nota acrescenta que os advogados do diretor de cinema entraram em contato com as autoridades francesas depois da detenção de Polanski, que aconteceu no sábado, em Zurique.

O ministério francês acrescenta que o embaixador da França na Suíça e o cônsul geral francês em Zurique entraram em contato com as autoridades suíças para "exercer o mais rapidamente possível o direito de visita consular" ao detido.

A declaração francesa ocorre depois que o Ministério da Justiça da Suíça afirmou que o diretor está à espera de ser extraditado aos Estados Unidos, mas precisou que Polanski pode apelar da decisão.

Polanski foi detido no sábado, em Zurique, aonde chegou para receber um prêmio do festival de cinema dessa cidade, devido a um caso pendente nos Estados Unidos há 30 anos.

O caso data de 1977, quando os pais de uma adolescente de 13 anos apresentaram um processo contra Polanski, acusado de drogar e estuprar a jovem modelo.

O cineasta se declarou culpado de "relações sexuais ilegais", por isso foi enviado à prisão em "avaliação" durante três meses, mas só passou 47 dias.

No final de 1978, no dia seguinte de uma reunião entre seus advogados e um juiz que tinha deixado entender que queria voltar a enviá-lo à prisão, Polanski, em liberdade sob fiança, pegou um avião para a Europa e nunca mais voltou a solo americano.

O diretor de cinema, que tem nacionalidade francesa, não pode ser extraditado da França, porque este país não tem a obrigação de extraditar seus próprios cidadãos. Paralelamente, as acusações sobre Polanski nos tribunais dos Estados Unidos não são passíveis de tal medida, segundo a legislação francesa.

Polanski evitou desde 1978 visitas a países que poderiam extraditá-lo, e trabalha e vive principalmente na França, Polônia, Alemanha e República Tcheca.

O Tribunal Superior de Los Angeles rejeitou em maio, de maneira definitiva, o pedido dos advogados de Polanski para suspender as acusações por abuso sexual. EFE jam/an

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