CAMPOS DO JORDÃO (Reuters) - O fato de mais políticos reconhecerem as vantagens da estabilidade macroeconômica vai reduzir em 2010 o nervosismo que as eleições costumam provocar nos mercados financeiros, avaliou nesta quinta-feira o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga. Ano de eleição sempre traz emoções, mas estamos falando de outro nível de emoção. A grande mudança foi a que ocorreu em 2002, quando subiu ao poder um partido aguerrido de oposição, afirmou em Campos do Jordão, onde participa do congresso de mercados financeiros e de capitais da BM&FBovespa. Fraga é presidente do conselho de administração da bolsa.

"Houve uma convergência em se ver vantagens na estabilidade macroeconômica. Acho que isso veio para ficar e isso diminui bastante a possibilidade de incertezas", acrescentou ao ser questionado sobre as eleições do próximo ano.

Fraga disse ainda que espera ver, durante as campanhas eleitorais, um debate sobre questões que considera fundamentais para o Brasil, como qualidade da educação, deficiência de infraestrutura e gasto público.

O ex-presidente do BC avaliou ainda que o país está em situação favorável para atrair investidores estrangeiros. "Somos, talvez, dos quatro países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) o mais fácil para o investidor entender, o mais ocidental, sem nenhum demérito para os demais."

Ele acrescentou que uma postura mais cautelosa na gestão de risco no Brasil, combinada com o fato de o mercado do país não estar no mesmo nível de desenvolvimento de outros do mundo, ajudou a evitar que a crise global se instalasse com mais força.

"Nós nunca embarcamos num modelo hiperliberal. E tem um elemento mais ligado a conjuntura que é que nós não estávamos aqui no limite do desenvolvimento do nosso mercado financeiro e bancário", disse.

"Até por isso é importante prestar atenção e tirar algumas lições (da crise global) para o futuro."

(Por Daniela Machado)

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