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Fraga: Estado é fundamental em áreas de baixo retorno privado

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Em meio ao debate eleitoral sobre o papel do Estado na economia no pós-crise global, o ex-presidente do BC Armínio Fraga e o ministro de Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro Guimarães, defenderam uma participação governamental mais forte em determinados setores da economia. Para Fraga --que presidiu o Banco Central no segundo governo do tucano Fernando Henrique Cardoso--, o Estado tem um papel importante para empurrar a economia para níveis de crescimento mais elevados e é fundamental em áreas como infraestrutura.

Reuters |

"São áreas em que o investimento privado nem sempre tem retorno igual ao retorno social do governo", disse a jornalistas Fraga, presidente do Conselho de Administração da BM&FBovespa, ao citar setores estratégicos como saneamento, distribuição de água, energia e transporte.

"Há investimentos em infraestrutura de menor retorno e mais longo prazo e aí, às vezes, o setor privado não tem interesse. Onde o setor privado não desejar participar é importante que o Estado atue. Ele não pode deixar para lá", argumentou o ministro Samuel Pinheiro Guimarães

Fraga, no entanto, apontou o peso fiscal como uma limitação para o incremento nos investimentos estatais.

"O nosso orçamento é muito grande e pesado em despesas correntes. Devemos ter mais espaço para os investimentos", defendeu Fraga.

Ele propôs que o debate eleitoral inclua o investimento em educação e a gestão desses recursos para ajudar o país a atingir um patamar mais forte de expansão econômica.

"Penso que se aproximando das eleições seria interessante pensar numa forma de colocar no topo da crista a educação", disse Fraga.

Guimarães defende uma participação mais ativa do Estado na economia do país e ressaltou que a crise financeira global teve como uma de suas causas a falta de regulação mais forte dos Estados sobre os mercados financeiros.

"A grande discussão mundial e nacional no momento é sobre o grau de participação do Estado como regulador e como indutor", disse. "Durante anos prevaleceu a tese do Estado mínimo. Chegamos à segunda maior crise da história e ela já tem dois anos. Não podemos separar sociedade e Estado."

O presidente Lula e a pré-candidata do PT à sucessão presidencial, ministra Dilma Rousseff, são defensores de uma atuação mais ativa do Estado na economia e este foi um dos temas presentes no 4o congresso do partido, que lançou o nome da ministra para concorrer ao Palácio do Planalto

Durante o governo Lula, programas de assistência social como Bolsa Família e Luz para Todos, e empresas estatais também ajudaram direta ou indiretamente na reorganização de segmentos industriais como petroquímico e alimentício.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

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