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Fracasso de Doha vai piorar cenário negro da economia

Um fracasso nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) pode adicionar mais uma nuvem negra na economia internacional, na opinião do diretor-geral da entidade, Pascal Lamy. Ontem, a OMC publicou seu relatório anual em que diz que a crise internacional poderá fazer com que o comércio mundial em 2008 caia para taxas mínimas.

Agência Estado |

"Apelo para que todos os governos se unam diante do cenário negro para a economia e que isso se traduza na conclusão da Rodada Doha", disse Lamy.

A previsão inicial era de que as exportações cresceriam 4,5% em 2008. Mas, para a OMC, o número pode ser bem menor. "Uma desaceleração maior que a projetada na economia mundial pode reduzir o crescimento do comércio para uma taxa significativamente abaixo dos 4,5% previstos."

A OMC destaca a queda nas demandas dos Estados Unidos, da Europa e do Japão. Em 2007, a economia de países emergentes cresceu três vezes mais que a dos ricos. Na América do Sul, por exemplo, não houve sinal de desaceleração. Mas a menor demanda nos países ricos fez com que expansão real do comércio fosse de 5,5% em 2007, ante 8,5% em 2006. Os emergentes representaram mais de 50% no crescimento das importações.

Para Michael Finger, um dos economistas da OMC, a queda na economia dos países ricos está sendo "pronunciada". Alguns efeitos seriam queda nas importações e aumento nas exportações. "Por isso, o melhor seguro contra o protecionismo é a conclusão das negociações", afirmou Lamy. "As nuvens negras que existem no cenário internacional não são causadas pelo comércio. Mas a conclusão da rodada seria um sinal político importante. Não vai tirar as nuvens negras do caminho. Mas, se não concluirmos as negociações, vamos adicionar mais uma nuvem no horizonte."

Para Lamy, a atual crise é "sem precedentes". "O impacto social e político dos problemas é bem maior hoje. Isso porque os pobres são os primeiros que estão sofrendo diante da alta nos preços de energia e alimentos." Para ele, há mais de 50% de chance de a OMC atingir um acordo. "Precisamos de investimento na agricultura dos países mais pobres. Mas ninguém fará isso sabendo que precisa competir com subsídios europeus, americanos e japoneses."

Perdedores

Em seu relatório, a OMC voltou a debater os custos da globalização e admitiu que nem todos na sociedade se beneficiaram da maior integração dos mercados. A entidade apóia medidas para ajudar trabalhadores que percam seus empregos por causa de medidas de liberalização. "Há aqueles que estão excluídos e nossa capacidade de corrigir isso é crucial para o mundo."

Entre os afetados pela integração dos mercados estão pequenos agricultores de camadas mais pobres. "Esse grupo não tem como tirar benefícios diante dos custos de energia e infra-estrutura", disse Lamy.

Para ele, porém, os ganhos do comércio são maiores que os prejuízos e os custos. "Os negociadores precisam se lembrar disso", disse. "Precisamos encontrar uma forma de equilibrar as perdas e ganhos e isso somente podemos fazer com políticas domésticas." As informações são do O Estado de S. Paulo

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