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Fotografia não carnavalizada é o trunfo de "Quincas"

"Quincas Berro D'água" entrar em cartaz nos cinemas do País, no dia 14 de maio

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

 

Tido como um dos diretores de fotografia mais importantes do cinema brasileiro, ele é responsável por encontrar belos ângulos em filmes como O Dia da Caça (1997), O Invasor (2001), O Outro Lado da Rua (2003), Cidade Baixa (2004), Estômago e Cão Sem Dono (2006). Sobre estar entre os melhores, Toca não se importa com isso. Não me incomoda nem extasia. E é sempre melhor do que ser incluído entre os piores, diz ele, que começou a trabalhar em cinema como assistente de câmera no filme Aleijadinho (1977), de Joaquim Pedro de Andrade.

Christian Cravo

Toca Seabra no set do filme, ao lado do diretor Sérgio Machado (de branco)

Agora, com a adaptação de mais um livro de Jorge Amado aos cinemas, sob direção de Sérgio Machado, Toca optou por uma paleta multicolorida, porém não carnavalizada, que expressasse a Bahia. No elenco, Mariana Ximenes, Vladimir Brichta, Paulo José, Marieta Severo, entre outros. É justamente em uma cena com Mariana, aquela em que sua personagem Wanda recebe a notícia da morte do pai, que Toca destaca como marcante. Por quê? Porque a Mariana ficou linda, de um jeito que nem mesmo sei dizer, afirma.

Perguntado sobre as diferenças físicas que há na cidade de Salvador de agora com a dos anos 50, quando se passa o filme, Toca cita três problemas atuais: Crack, axé-music e trânsito, enumera. A pedido do iG, o diretor cedeu fotos exclusivas do filme Quincas Berro Dágua e concedeu a entrevista abaixo.

Fotoshow: Imagens exclusivas do filme Quincas Berro Dágua


iG: Você usou fotos do francês Pierre Verger como inspiração para o Quincas. Por que esta escolha?
TOCA: O Sérgio Machado me apresentou algumas referências e, dentro deste mundo,  elegemos, naturalmente, o trabalho do Verger como bússola. Não de estilo, mas da compreensão de um jeito de ver.  O ser e o estar dos malandros da cidade da Bahia contados por Jorge é visto por Verger em suas fotos.

iG: O que este filme tem de diferente dos demais que já foram adaptados de obras de Jorge Amado, no que se refere à fotografia?
TOCA: Optei por uma paleta multicolorida, porém não carnavalizada, que expressasse a dissonância dos distintos universos da história.

iG: Como assim?
TOCA: A Bahia é colorida. Mas, ao mesmo tempo em que é cor, é escura também. Especialmente em 1959, quando as ruas de Salvador não eram exatamente feéricas.  A paleta multicolorida expõe a distância entre o mundo organizado, pequeno-burguês da família de Quincas, com o mundo escrachado e boêmio de seus amigos. Sem que isto seja construído de forma alegórica, infantil. Quincas não é um filme-enredo.

iG: Qual foi o maior desafio na realização do filme?
TOCA: Conciliar nosso desejo de recriar poeticamente um universo, em parte já extinto, com uma estrutura que não nos permitia grandes intervenções nos exteriores existentes. Salvador, como qualquer outra cidade do terceiro mundo, sofreu interferências físicas muito mal resolvidas. Isto tudo aliado ao fato de termos filmado 90% do filme em noturnas longas e cansativas. Em nove semanas tivemos somente seis filmagens diurnas. Vida de morcego.

iG: Que cena você destacaria?
TOCA: A cena em que Wanda recebe a notícia da morte do pai. Porque a Mariana (Ximenes) está linda de um jeito que nem mesmo sei dizer.

iG: Que diferenças há na cidade de Salvador de agora com a dos anos 50, quando se passa o filme?
TOCA: Crack, axé-music e trânsito.

iG: Que filme gostaria de ter fotografado? Por quê?
TOCA: Lucia y El Sexo e My Blueberry Nights, espetacularmente fotografados por Kiko de la Rica e Darius Kondji/ Pung-Leung Kwan, respectivamente. Pela imensa liberdade que a imagem desses filmes tem, pelos seus elencos extraordinários, pelos diretores (Julio Medem e Wong Kar Wai) e porque, se pudesse escolher, só faria filmes de amor.

iG: O cinema nacional tem conquistado cada vez mais espaço no país. Mas no que ainda é preciso melhorar?
TOCA: A história, por que contá-la; e o roteiro, como contá-la. E, obviamente, duplicar, quadruplicar o número de salas de exibição. Com vários níveis de conforto e preço adequados e possíveis para cada realidade.  É mais importante haver uma sala de cinema de qualidade razoável numa determinada localidade do que não haver nenhum ótimo Whatever-Plex.

 

 

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