Fosp: cresce número de casos de câncer de mama em mulheres jovens

Dados atualizados da Fundação Oncocentro de São Paulo (Fosp) - que reúne estatísticas de 63 hospitais especializados do Estado de São Paulo - mostram que da parcela de 602 casos de câncer de mama registrados em 2008 (números notificados entre janeiro e julho), 35% foram em mulheres antes dos 50 anos. Em 2007, esta faixa etária correspondeu a 34,7% do total.

Agência Estado |

Em 2007, 33,9%. Em proporções bem maiores, porém, cresceram os hábitos femininos de desafiar a saúde com o uso de cigarro, álcool, estresse e sedentarismo, todos fatores de risco para o câncer de mama.

No Centro Estadual de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), a alta de pacientes mulheres em tratamento para o alcoolismo subiu 80% entre 2006 e 2007. Na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), os estudos mostram que as meninas menores de 13 anos fumam mais do que os meninos de mesma idade. Já o programa de vigilância de fatores de risco do Ministério da Saúde atestou que as mulheres são mais sedentárias do que os homens. A diferença chega a 10 pontos porcentuais.

O uso indiscriminado do anticoncepcional é outro fator que preocupa os especialistas, já que prática é comum entre adolescentes e ilustra a chamada banalização do contraceptivo citada por Mourão Netto, chefe da oncologia do Hospital A.C. Camargo. “As pessoas esquecem que os contraceptivos são medicamentos que precisam de orientação e acompanhamento médico, que podem causar reações adversas e não podem ser tomados sem supervisão”, alerta o especialista.

Ainda que as pílulas sejam apontadas como um dos métodos para evitar gravidez indesejada, outra lembrança feita pelos médicos é que o anticoncepcional não protege contra as doenças sexualmente transmissíveis (DST), como aids. Para ilustrar o cenário de infecção, uma pesquisa realizada pelo Hospital das Clínicas com garotas que engravidaram antes da maioridade mostrou que 70% delas estavam contaminadas pelo vírus HPV, também transmitido pelo sexo sem proteção, e que pode evoluir para o câncer de colo de útero, um dos mais fatais do sexo feminino segundo os números oficiais do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

AE

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