Fórum Urbano: especialistas buscam saídas para ampliar moradias e garantir sustentabilidade ambiental

Habitação e sistemas de construção são duas das palavras mais usadas entre os conferencistas do Fórum Urbano Mundial, organizado pelo Programa das Nações Unidas para Assentamentos (ONU-Habitat), no Rio de Janeiro. Entre elas, a necessidade de combinar expansão e melhoria de moradias com adequação a modelos ambientalmente sustentáveis.

Rodrigo de Almeida, iG Rio de Janeiro |

A diretora-executiva da entidade, Anna Tibaijuka, pediu aos países em desenvolvimento o uso de técnicas intermediárias de construção, ao lançar no fórum o livro Building Prosperity: Housing and Economic Development (em tradução livre: Construindo prosperidade: desenvolvimento econômico e habitacional).

As principais vantagens da tecnologia intermediária são o baixo custo, a pequena escala e o uso de métodos produtivos relativamente simples, diz Anna Tibaijuka, para quem o nível de tecnologia adotada permite o aumento da utilização de materiais de construção produzidos localmente e a redução de importados ¿ isso resultaria, segundo ela, em mais economia, empregos e fortalecimento das indústrias locais.

A alta tecnologia é considerada inadequada pela ONU-Habitat devido à grande quantidade de material importado exibida. Como sai mais caro, tem-se menor poder de escala para reduzir os atuais déficits habitacionais nos países em desenvolvimento.

Nesta semana, o Ministério das Cidades informou que o déficit habitacional brasileiro caiu 8% entre 2008 e 2007 ¿ de 6,3 milhões para 5,8 milhões de domicílios. Mas houve piora no indicador que mede o total de moradias com infraestrutura inadequada: aumentou em 500 mil, chegando a 11 milhões de unidades, ou 22% dos domicílios urbanos.

Para Anna Tibaijuka, a população de baixa e média renda não pode arcar com o preço de venda da unidade. Mais: altas tecnologias não absorvem o exército de desempregados, numeroso nas nações em desenvolvimento.

Construção

Numa das sessões de debates desta quarta-feira, Khalida Bouzar, subdiretora de divisão de tecnologia, indústria e economia do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP, na sigla inglês), defendeu uma melhor atenção ao setor da construção civil como forma de melhorar as moradias no planeta. Mas com preocupação ambiental. O uso de tecnologia, neste caso, é fundamental, segundo ela. Não precisamos de grandes avanços tecnológicos, o que já temos disponíveis são suficientes, afirmou.

A construção civil é um setor que, no mundo, consome 40% da energia e 20% da água, enquanto gera 30% dos resíduos sólidos. É preciso usá-lo para combater o impacto da mudança climática, afirmou Khalida Bouzar.

A redução da emissão gases de efeito estufa pode ser conseguida, segundo ela, com a renovação e preservação dos edifícios existentes. Um cálculo sugere que isso significa 10% de novos empregos e 15% da economia de energia na Europa e nos Estados Unidos. Como o ciclo de vida das construções varia de país para país, a especialista da ONU sugere o estabelecimento de padrões comuns.

Antes dela, o secretário-executivo da Comissão Econômica para a Europa da ONU (UNECE, na sigla em inglês), Jan Kubis, lembrou que entre 80% e 90% das emissões de gases de efeito estufa ocorrem na fase de uso, e não da construção. Pensar em edifícios mais eficientes ambientalmente é, portanto, um problema não restrito aos países em desenvolvimento.

Muitos países europeus têm prédios muito ineficientes, disse, defendendo em seguida uma equação complexa: Precisamos de habitações acessíveis com tecnologia.

No painel com Khalida Bouzar e Jan Kubis estavam, por exemplo, o ministro da Habitação da Finlândia, Jan Vappavuori, e subsecretário de Habitação dos EUA, Ron Sims. Eles discutiram alternativas de transporte e habitação para cidades crescerem de maneira sustentável. As propostas incluem redução da dependência dos veículos motorizados, ampliação do uso de bicicletas, carros elétricos e híbridos e um sistema de transporte público menos poluentes.

Para nós a mobilidade futura de veículos não motorizados é mais importante do que a mobilidade de automóveis tradicionais, disse Sims.

Habitação com segurança

No comando da delegação dos EUA no Fórum Urbano Mundial ¿ cerca de 500 pessoas enviadas pelo presidente Barack Obama ¿ esteve o secretário de Habitação e Desenvolvimento Urbano, Shaun Donovan, que aproveitou a estadia no Rio para visitar, no início da semana, a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro Dona Marta. E ainda fez uma visita à cidade de Curitiba, cujo modelo de ligação entre moradia e transporte foi elogiado por ele.

Essas pessoas vieram porque estão extremamente interessadas em se engajar e aprender, disse Donovan. Isso reflete como a política urbana americana está mudando.

Em entrevista coletiva, o secretário americano sublinhou a importância do acesso e da igualdade nas cidades, e a garantia de que a sustentabilidade também signifique que famílias de baixa renda tenham acesso a oportunidades que vão além de viver em moradias mais seguras e saudáveis.

Donovan defendeu ainda a disposição dos EUA de compartilhar experiências e ajudar o Brasil a combater um dos maiores problemas do País, que é restabelecer a sociedade civil e a segurança nas favelas. Donovan cresceu em Nova York e disse ter testemunhado a sensação de que as cidades americanas estavam à beira do colapso.

O policiamento comunitário e outras técnicas para restabelecer a proteção e a segurança em parceria com as comunidades locais contribuíram para aplacar o problema nos EUA.

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