Uma Assembleia de Movimentos Sociais do Fórum Social Mundial (FSM) Grande Porto Alegre lançou hoje um calendário de mobilizações visando às eleições de 2010, incluindo uma reunião nacional em 31 de maio, sob a palavra de ordem de barrar a volta do neoliberalismo ao País. Conduzido pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), historicamente ligada ao PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e com forte presença de oradores do PC do B, o encontro no último dia da etapa gaúcha do FSM aprovou, sem votar, um documento que considera a mobilização da oposição contra o governo em 2005, na crise do mensalão, uma tentativa de golpe, equiparada a outros episódios na América Latina, como na Venezuela em 2002 e em Honduras em 2009.

Apesar do tom do texto, organizadores demonstraram não temer a acusação de uso político-partidário do FSM. "Não temos medo não, porque acho que temos que ter lado", disse o sindicalista que comandou a reunião, Antônio Carlos Spis, da Federação Única dos Petroleiros, filiada à CUT.

"Então, estamos do lado do trabalhador, do movimento social, dos estudantes. E não estamos preocupados com candidatura. Estamos preocupados com o possível avanço do neoliberalismo nessas eleições."

Spis afirmou que os movimentos vão construir um "projeto nacional e popular" para apresentar aos candidatos - o processo prevê realizar a assembleia nacional dos movimentos do dia 31 em São Paulo, além de uma Conferência Nacional da Classe Trabalhadora em 1 de junho.

"Duvido que qualquer candidato aceite nossa pauta. O primeiro ponto é o seguinte: implementação da reforma agrária já. Queremos democratizar os meios de comunicação, quebrar a espinha dorsal da Globo, da Bandeirantes, do SBT. Essas coisas não vão acontecer. O pessoal tem receio."

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