Fortes rajadas de vento provocaram o naufrágio do Concórdia, diz capitão do navio

O capitão do navio veleiro canadense Concórdia, que naufragou na costa do Rio de Janeiro na última quarta-feira, afirmou neste sábado que um evento climático atípico foi o responsável pelo acidente. Segundo o americano Also William Curry, de 59 anos, fortes rajadas de vento verticais tombaram o navio em poucos segundos.

Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro |

Foi uma situação extraordinária. Aconteceram rajadas de vento verticais (normalmente as rajadas são horizontais), e por isso o navio inclinou, relatou Curry em entrevista coletiva. O acidente ocorreu por volta das 14h15 da última quarta-feira (17), e embora a previsão do tempo fosse desconfortável para este dia, não havia nada de excepcional, segundo o capitão.

Anderson Dezan/US

Capitão Also William Curry durante a entrevista coletiva

Curry afirmou que muitos navios a vela já foram perdidos por causa desse tipo de evento climático. Essas rajadas de vento verticais não têm como serem previstas. Foi um azar o navio estar naquele ponto do oceano, na hora em que o fenômeno ocorreu, analisou o capitão.

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Sobrevivente acena durante chegada ao Rio
O naufrágio aconteceu a cerca de 550 km da costa do Rio de Janeiro, na altura do município de Cabo Frio, na Região dos Lagos. No momento do acidente, as aulas do veleiro - que funciona como um navio-escola da instituição de ensino canadense West Island College International - tinham acabado de começar e boa parte dos alunos estava no convés, o que facilitou a fuga.

Em cerca de 15 segundos a água tomou a área emborcada. Neste momento, o alarme já foi acionado, conta Curry. A Marinha, no entanto, viu o alarme às 21h da quarta-feira e, como o disparo foi contínuo, enviou um avião da Força Aérea Brasileira pra localizar o navio às 17h do dia seguinte (quinta-feira).

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Sobreviventes acenam da embarcação que os resgatou no Rio

Por volta das 20h, a aeronave localizou uma balsa salva-vidas com pessoas nas proximidades do local onde foi detectada a emissão do alarme. A Fragata Constituição foi enviada para a região e três navios mercantes que estavam naquela área marítima foram deslocados.

Os tripulantes do Concórdia aguardaram o resgate por quase 40 horas, acomodados em quatro balsas. Nunca tinha passado por uma situação semelhante, afirmou o capitão sobre o evento climático.

Desembarque no Rio

Na manhã deste sábado, a Fragata Constituição trouxe 13 dos 64 náufragos do veleiro Concórdia à Base Naval do Rio de Janeiro, na Ilha de Mocanguê, na Baía de Guanabara, próximo à Ponte Rio-Niterói. Os demais tripulantes resgatados estão nos navios mercantes Hokuetsu Delight e Cristal Pionner e devem chegar na parte da tarde.

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Canadense ferida chora após ser resgatada
Dos 13 tripulantes resgatados, 12 são estudantes, com idades entre 16 e 20 anos, e um é o capitão do navio, Also William Curry.

Todas as pessoas a bordo foram resgatadas. No total, cidadãos de dez nacionalidades estavam no navio: Canadá, Estados Unidos, Inglaterra, França, Alemanha, Polônia, México, Austrália, Nova Zelândia e Japão.

Divulgação

Modelo do navio veleiro que naufragou com 64 pessoas

O veleiro, pertencente à instituição de ensino canadense West Island College International, levava 41 estudantes. O Concórdia é um navio-escola, onde alunos do ensino médio estudam dentro da embarcação. Ele havia saído do Recife, em Pernambuco, no dia 8 de fevereiro e chegaria a Montevidéu, no Uruguai, no próximo dia 23. Antes de chegar ao Brasil, o veleiro que partiu do Canadá passou pela Europa e pela África.

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