Forte enxurrada "varreu" Alagoas e Pernambuco

Concentração de chuva provocou transbordamento de rios e enxurrada que matou mais de 50 pessoas

Lecticia Maggi, iG São Paulo |

A chuva que provocou a morte de mais de 50 pessoas e deixou milhares de desabrigados nos Estados de Alagoas e Pernambuco teve uma particularidade que a diferenciou das outras enchentes registradas no Nordeste brasileiro. Grande parte dos danos e mortes não foi causada por deslizamentos de encostas ou casas, mas por uma enxurrada que “varreu” os Estados. “Pareceu um ‘tsunami’. A água veio com uma força incrível, derrubando tudo pela frente”, afirma o meteorologista Manuel Teixeira, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Alagoas. 

nullDe acordo com dados do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre quarta (16) e sexta-feira (18), choveu o equivalente a 455,8mm em Recife (PE), sendo que o previsto para todo o mês de junho era de 369,2 mm. Teixeira explica também que a chuva ficou bastante concentrada próximo à cabeceira de rios, provocando transbordamento.

Em Alagoas, a chuva também foi forte e em um curto espaço de tempo. Na zona da Mata choveu 180mm em 3 dias, quando a média histórica para o mês é de 150mm na região. Em muitos locais, a quantidade de chuva sequer pôde ser medida. “Nos lugares mais baixos a violência da água foi tanta que não soubrou equipamentos”, contaTeixeira.

Ele explica que a quantidade abundante de chuva somada ao fato dos rios de Alagoas serem afluentes dos de Pernambuco ampliou a tragédia no Estado. Até a tarde desta sexta-feira, o último balanço da Defesa Civil de Alagoas contabilizava 29 mortos , sendo que pelo menos 11 foram afogados.

“As imagens de satélite mostraram que havia uma área de instabilidade e avisamos a Defesa Civil, mas não dava para prever que esta quantidade de água ia descer dos rios (de Pernambuco). Aconteceu muito rápido e com uma velocidade muito forte”, afirma o meteorologista.

As cidades ribeiras do rio Mundaú, no Vale do Mundaú, zona da Mata alagoana, foram as mais atingidas. Ali, o trasbordamento do rio devastou municípios como Atalaia, Branquinha, Santana da Mundaú, São José da Lage e União dos Palmares.

Uma fonte da Defesa Civil ouvida pelo iG, que preferiu não ter o nome publicado, afirmou que, “a chuva abrupta não permitiu que a Defesa Civil retirasse a população ribeirinha a tempo”. “Não teve como evacuar as cidades e levar as pessoas para a parte alta. Não houve tempo hábil para isso”, diz ele, e acrescenta que os danos só não foram maiores porque os grandes alagamentos aconteceram durante o dia. “As cidades foram varridas e, se fosse à noite, teríamos um número maior de pessoas em casa”. 

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