Força vem da alegria que Isabella tinha, diz Ana Carolina

SÃO PAULO - Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella Nardoni, que morreu no sábado, 29, após cair do 6° andar de um edifício na zona norte de São Paulo, afirmou que consegue forças para enfrentar este momento da alegria que a filha tinha todos os dias. Ela dizia: a única coisa que não gosto é de ver você triste, afirmou neste sábado, em entrevista ao Jornal Hoje.

Redação |

A mãe disse que está tudo muito difícil, mas que vai tentar ter forças para continuar a vida. "Eu sei que lá de cima ela está olhando por mim", emocionou-se.

AE
Ana Carolina recebeu homenagens na porta de casa neste sábado
Ana Carolina recebeu homenagens
na porta de casa neste sábado
Questionada se a solidariedade alheia ajuda neste momento, Ana Carolina respondeu que sim e que ficou muito feliz com a presença de Massataka e Keiko, pais de Ives Ota, seqüestrado e assassinado aos oito anos em 1997, na missa de 7° dia da filha.

Sobre as investigações sobre a morte de Isabella, a jovem afirmou que elas estão caminhando muito bem em sua opinião. "Agora se meu depoimento foi diferencial ou não, eu não sei. Não tive nenhuma informação sobre isso", contou.

Por fim, Ana Carolina agradeceu a todos as manifestações de apoio que vem recebendo. "Isso me conforta e é muito bom", finalizou.

No fim da tarde, a mãe de Isabella voltou à porta da sua casa para distribuir camisetas com a foto da menina para um grupo de pessoas que foram lhe prestar solidariedade.

Aniversário neste sábado

Ana Carolina Cunha completou 24 anos neste sábado. A jovem recebeu uma homenagem em frente à sua casa, na Vila Mazzei, zona norte de São Paulo. Diversas pessoas se reuniram no local e entregaram presentes para a mãe e cartazes com fotos das duas e mensagens de solidariedade e apoio.

Durante a manhã, ela participou de um culto reservado para a família em uma capela. Ela vestia uma camiseta branca com a foto da filha e a frase "Isabella, nossa estrelinha para sempre".

No site de relaiconamento orkut, muitos amigos e também desconhecidos sensibilizados com o caso prestaram suas homenagens. A página da mãe contabiliza mais de 100 mil mensagens. As pessoas parabenizam Ana Carolina pelo aniversário e desejam força neste dia. "Apesar de seu sofrimento, parabéns por seu aniversário e que Deus te ilumine nessa caminhada", diz uma das mensagens.

Missa de 7º dia

Juliana Simon
Ana Carolina participa de missa
A missa de sétimo dia da morte de Isabella aconteceu na tarde de sexta-feira e reuniu mais de 800 pessoas na Igreja da Nossa Senhora da Candelária, na Vila Maria, zona norte de São Paulo.

A mãe da garota, Ana Carolina Cunha de Oliveira, chegou uma hora antes da cerimênia acompanhada do namorado, e permaneceu sentada na primeira fileira. Os avós de Isabella também estiveram presentes na cerimônia.

Antes da missa, muitas pessoas foram cumprimentar Ana Carolina, que se mostrava muito emocionada todo o tempo.

Durante a cerimônia, a mãe de Isabella permaneceu serena e cantou todos os hinos católicos. A missa durou cerca de uma hora e meia e Ana Carolina deixou a igreja com rosas nas mãos e, protegida por um cerco de parentes e amigos, entrou no carro sem dar entrevistas. 

Apoio

Juliana Simon
Massataka e Keiko, pais de Ives Ota, seqüestrado e assassinado por policiais militares aos oito anos em 1997, compareceram à missa e se sentaram ao lado de Ana Carolina.

Para Keiko, "a solidariedade é fundamental. É o amor das pessoas que nos alivia a dor da perda de um filho". Para ela, Ana Carolina está serena e "vai usar essa passagem para refletir".

A morte de Ives, como a de Isabella, causou comoção nacional e recolheu mais de 2,5 milhões de assinaturas para a ONG "Movimento da Paz e Justiça" em 1997.

Investigações

Nesta sexta-feira, o promotor de Justiça Francisco José Taddei Cembranelli afirmou que "não há dúvida de que houve um crime" na morte de Isabella. 

Alexandre Nardoni, pai da menina teria apresentado aos delegados responsáveis pela investigação os nomes de alguns supeitos do crime , segundo revelou seu advogado Marco Polo Levorin.

Nesta quinta-feira, investigadores revelaram que vestígios de sangue foram encontrados por uma equipe do Instituto de Criminalística (IC) dentro do Ford Ka do casal Alexandre e Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá e no apartamento no 6º andar do Edifício Residencial London - de onde a garota caiu no sábado.

Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, passaram a primeira noite presos em delegacias separadas em São Paulo. Ele  está detido no 77º Distrito Policial, em Santa Cecília. Ela passou a noite 89º DP, no Portal do Morumbi, onde existe carceragem feminina. Os dois sozinhos em suas celas.

O caso

AE
Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira que eram divorciados. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Trotta Peixoto, estudante.

No sábado, foi encontrada morta no jardim do prédio do pai. A polícia descartou a hipótese de acidente e acredita que a garota tenha sido assassinada. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que há fortes indícios de que ela tenha sido jogada da janela do apartamento por alguém.

O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.

A polícia afirmou que vai aguardar os laudos dos exames periciais, que ficarão prontos em cerca de 30 dias, para esclarecer as circunstâncias da morte. O delegado vinha afirmando que Nardoni e Anna Carolina não eram suspeitos.

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