Força Nacional não indica profissionais nem discrimina, diz assessoria

Mulher de número 2 do departamento da Senasp afirma que entrou na corporação antes do marido. Órgão questiona nepotismo

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

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O número dois da Força Nacional, capitão Luigi, ao lado da mulher, Adriana Ruver, mobilizada em Brasília
A assessoria de imprensa da Força Nacional afirmou ao iG que não cabe à Senasp (Secretaria Nacional de Segurança) indicar os “profissionais apresentados” nem fazer nenhum tipo de “discriminação (gênero e origem) quanto às indicações dos Estados”.

A reportagem telefonou para o gabinete do diretor-substituto da FN, capitão (BM-RS) Luigi Pereira, em dois dias diferentes e não o encontrou. Deixou recado informando que o conteúdo da matéria lhe dizia respeito, mas não obteve retorno.

De acordo com a assessoria da Força, a soldado da Brigada Militar do Rio Grande do Sul Adriana Ruver – mulher de Luigi – é “mais antiga que o mesmo na FN”. Segundo a assessoria, Adriana foi indicada pelo Rio Grande do Sul em 14 de janeiro de 2007.

Adriana Ruver, que trabalha na Coordenação de Ações Preventivas da Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública), afirmou ao iG que já operava na Força Nacional antes de o marido “pensar em entrar”. “Quem o estimulou a fazer o curso fui eu, que já tinha feito vários cursos. Isso [a matéria] é maldade, encomendado por alguém. Trabalho para caramba, tenho uma família toda para sustentar, ralo há um tempão, não tenho tempo para esse tipo de maldade. Não entrei aqui por conta de homem nenhum, não tenho meu emprego por conta de homem nenhum, não ia ser agora”, afirmou.

Adriana alegou ainda que não vê irregularidade em estar mobilizada em Brasília porque não responde profissionalmente ao marido. “Não sou subordinada a ele. Sou da Força Nacional muito antes dele, cursada da Força Nacional”, disse.

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Capitão Luigi e Ângela Ruver, casados e atuando mobilizados pela Força Nacional na capital
Questionada sobre a mobilização da irmã Ângela Ruver para ir para Brasília, em 16 de dezembro, a soldado disse que ela também já integrava a corporação. “Nós somos cursadas [na Força Nacional], inclusive ela [Ângela Ruver], muito antes dele [capitão Luigi].” O repórter não conseguiu contato com Ângela no trabalho.

A assessoria de imprensa da FN, porém, confirmou que a cunhada do número 2 da organização só foi mobilizada em dezembro. Ela “foi solicitada, devido à sua formação como analista de sistemas para a Inteligência FN, pelo então responsável pela pasta, capitão Uirá Nascimento (RJ)”, segundo o órgão.

Mulher do sargento Bittencourt (BM-RS), a sargento da Brigada Simone da Rosa Baldi, que atua na Unidade Gestora da Força, foi mobilizada na administração anterior pela Senasp. “Estando esgotado seu tempo, está com passagem e apresentação definida para sua corporação de origem, desde 12 de abril, devendo apresentar-se em seu Estado de origem em 30 de abril”, disse a FN.

A assessoria afirmou que a sargento Salésia, mulher do tenente-coronel PM-GO Agnaldo Augusto da Cruz, chefe de gabinete da secretária nacional de Segurança – Regina Miki –, atua na Ouvidoria, “sem cargo e na condição de colaboradora eventual”, desde a época em que marido era colaborador eventual da Força Nacional.

A FN disse não haver problema na atuação de ambos na Senasp porque a Ouvidoria “está subordinada ao assessor Guilherme, ligado funcionalmente à secretária nacional, não tendo qualquer vínculo com a Chefia de Gabinete”.

Força diz priorizar equipe multidisciplinar, não Estados

Questionada sobre a predominância de profissionais oriundos do Rio Grande do Sul, a Força Nacional afirmou que “não se levou em consideração a origem dos servidores, mas sim a necessidade de se estabelecer uma equipe multidisciplinar (multi-corporações)”.

De acordo com a assessoria, a perita gaúcha Heloísa Helena foi “escolhida dentro da característica ‘multi-corporação’” porque exerceu é a única na área judiciária a ter exercido “função de magistério por vários anos”.

Segundo a FN, outro motivo para ter uma especialista na área é a necessidade da Força de aumentar a capacitação de peritos e policiais civis. A perita estava no Departamento de Projetos e já conhecia a “sistemática de funcionamento da casa, além de ser uma liderança junto à perícia da FN, fato demonstrado quando assume os IML de Teresópolis e Nova Friburgo (crise no RJ)”.

A FN disse que o inspetor Brasil (PRF), responsável pela logística da FN, foi indicado pelo (DEA) Departamento responsável pelas Finanças, por ser “experiente em assuntos atinentes a licitações”, também seguindo “os parâmetros técnicos e multi-corporações da FN.”

Segundo a assessoria, à época do diretor anterior da FN, coronel PM-RJ Luiz Antônio, o capitão Luigi Pereira já era o coordenador de operações e o capitão Romeu já era o responsável pelos Bombeiros. Conforme a Força Nacional, o capitão Siste (BM-RS) “também foi designado responsável pelo setor de suprimentos da FN à época do antigo diretor. “Dentro do plano de substituições, será desmobilizado em 10 de Maio, devendo ser substituído, a princípio, por mobilizado do Estado do Piauí”.

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