Força Nacional e Senasp se tornam reduto de nepotismo

Mulher e cunhada do nº 2 da tropa e esposa do chefe de gabinete da titular da Senasp, Regina Miki, têm emprego na capital federal

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro | 25/04/2011 10:12

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Foto: Reprodução

O número dois da Força Nacional, capitão Luigi, ao lado da mulher, Adriana Ruver, mobilizada em Brasília

A Força Nacional de Segurança Pública (FNSP), que reúne policiais de diferentes estados, virou um reduto de nepotismo e está loteada por integrantes da Brigada Militar do Rio Grande do Sul nos principais cargos de comando.

O número 2 da Força Nacional, capitão da Brigada Militar do Rio Grande do Sul (BMRS) Luigi Pereira, empregou em Brasília a mulher, soldado Adriana Ruver, e a cunhada, soldado Ângela Inês Ruver.

Ambas foram mobilizadas pela Força Nacional, da qual Luigi é diretor-substituto e coordenador-geral de Operações, subordinado apenas ao diretor, major Alexandre Augusto Aragon.

Na prática, segundo o iG apurou, é o capitão quem comanda o dia-a-dia administrativo do departamento da Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública).

Adriana, mulher do capitão, dá expediente na Coordenação de Ações Preventivas do Departamento de Projetos da Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública), à qual a Força está ligada. Ela já integra a FNSP desde janeiro de 2007, quando foi atuar no Rio de Janeiro.

Ângela, a cunhada, foi mobilizada em 16 de dezembro de 2010. Ela já atuou no gabinete da secretária nacional de Segurança, Regina Miki, e na inteligência da Força Nacional – dois locais estratégicos, onde tem acesso a um grande fluxo de informações. Atua oficialmente no Centro de Controle e Comando Integrado da Força.

Foto: Reprodução

Diretor-substituto da Força Nacional, capitão Luigi, ao lado do amigo sargento Bittencourt, cuja mulher também trabalha em Brasília

O braço-direito e amigo do capitão Luigi, o sargento Geraldo Passos Bittencourt, também da Brigada Militar, foi outro a conseguir levar para a capital federal sua mulher, a sargento da Brigada Simone da Rosa Baldi.

Bittencourt está cedido ao Departamento de Pesquisa, Análise de Informação e Desenvolvimento de Pessoal em Segurança Pública (Depaid) da Senasp.

Mobilizada pela Força Nacional, Simone atualmente trabalha na Coordenação de Orçamento e Finanças, sob o policial federal gaúcho João Antônio da Silva Brasil.

Brasília, onde funciona o comando do órgão da Senasp, é o lugar mais cobiçado por integrantes da Força Nacional, que atualmente reúne cerca de mil policiais de todo o País. Na capital federal, a diária dos mobilizados é de R$ 224 – ou R$ 6.720 mensais. Em outros lugares, a diária cai para R$ 177 – ou R$ 5.310. Esse valor é acrescentado ao salário dos policiais em seu Estado de origem.

Na antessala da secretária nacional

Foto: Reprodução Ampliar

Ângela Ruver, cunhada do capitão Luigi, foi mobilizada em dezembro pela Força Nacional para a capital

O nepotismo não se restringe à Força Nacional e chega ao gabinete da secretária nacional de Segurança, Regina Miki. O chefe de gabinete de Regina Miki, tenente-coronel Agnaldo Augusto da Cruz, também levou para a capital federal sua mulher, sargento PM Salésia, de Goiás – estado de origem dos dois.

De acordo com a assessoria de imprensa da Senasp, ela atua na Ouvidoria da Senasp, “na condição de colaboradora eventual”, desde a época em que marido era colaborador eventual lotado na Força Nacional. O órgão afirma que a Ouvidoria é ligada “funcionalmente à secretária, não tendo qualquer vínculo com a Chefia de Gabinete (ocupada pelo marido de Salésia)”.

Esvaziamento da Força

Criado em 2004 como uma espécie de tropa de elite da polícia dos estados para apoio em situações de crise, o departamento da Senasp (Secretaria Nacional de Segurança) tem sido aos poucos esvaziado e perdido poder. Após o auge nos Jogos Pan-Americanos de 2007, quando teve 3.700 integrantes, hoje são cerca de 800 policiais à disposição.

Foto: Agência O Globo Ampliar

Policiais da Força Nacional em atuação no Complexo do Alemão, em janeiro de 2008

Já chamada para atuar no Rio em situações de crise no Complexo do Alemão, em 2007, por exemplo, a Força foi preterida em novembro passado. Em seu lugar as Forças Armadas participaram ativamente e auxiliaram as polícias do Rio na tomada dos complexos de favelas na região da Penha.

Antes dirigida por coronéis, o atual diretor é um major, dois postos abaixo no oficialato militar. O que para um civil pode parecer não fazer diferença representa muito no hierarquizado universo militar, no qual a Força Nacional se inclui. O comandante do departamento está em contato constante – frequentemente fazendo pedidos – com o Estado-Maior das unidades da federação, composto por coronéis. Nessas situações, de acordo com oficiais que conhecem o modus operandi da Força Nacional, a antiguidade militar prevalece e a FN perde poder de negociação.

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