¿Foi efeito dominó, uma casa desabou em cima da outra¿, diz parente de vítima em SC

SÃO PAULO - Na tarde do último sábado, 22, um metalúrgico, morador da cidade de Jaraguá do Sul, teve a casa arrastada pela chuva. O terreno da residência do homem não aguentou a força da água e o imóvel desabou.

Lívia Machado |

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O vento e as chuvas torrenciais destruíram cinco casas da rua onde ele mora com a família, no bairro Jaraguá Esquerdo, e deixaram outras quatro residências interditadas. A irmã da vítima relata que a tragédia aconteceu em segundos. Meu irmão ouviu o grito da vizinha e saiu correndo. Foi efeito dominó, uma casa desabou em cima da outra.

Entre o susto e o desabamento foi possível retirar o carro e a moto. Apesar do desastre, a irmã do metalúrgico diz que a área não era considerada de risco nem havia sinal aparente de desabamento. Um dia após o acidente, a família voltou ao local para tentar resgatar parte dos bens. Segundo parentes, poucos móveis e eletrodomésticos foram recuperados. Da casa só restaram escombros.

O metalúrgico, a mulher e o filho de 14 anos estão abrigados em casas de parentes. Ainda abatida com a situação do Estado, a irmã comenta que a perda material teve um agravante: a casa foi construída pelo próprio dono, ao longo dos anos. O piso era novo, e eles tinham recém instalado um portão eletrônico. Nenhum dos membros da família quis revelar o nome, todos abatidos pela tragédia.

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Desabamento em Jaraguá do Sul

No mesmo bairro, Fernanda Rosa, 23, por volta das 18h do sábado, tentava impedir que a residência onde mora com os pais, irmãos e avós ¿ de 70 anos - fosse tomada pela água. Em um primeiro momento, ela conta que os móveis e objetos pessoais foram levados para a casa do vizinho, onde as águas ainda não tinham chegado. Algumas horas depois, ambas as casas estavam alagadas. Quando começamos a retirar os móveis, a água estava na altura da minha canela. Em pouco tempo, atingia o nível da cintura. No fim da noite, alcançava o aparelho do ar condicionado, no alto da parede, relembra. 

Fernanda explica que as ruas do bairro são íngremes e, por isso, as casas que ficam no topo do morro não foram atingidas. Com a ajuda de uma caminhonete, a família levou aparelho de TV, computador e as roupas para a residência dos vizinhos que escaparam das enchentes. Duas horas depois, quando a chuva já tinha dado trégua e o nível da água estava novamente na altura da canela, a família voltou para resgatar os animais de estimação: cinco gatos.

A casa da família Rosa é uma das muitas residências que contornam e dão as costas para o Rio Jaraguá. Com o transbordamento do rio, a água invadiu a maioria dos imóveis pela parte de trás. Só na rua de Fernanda, nove casas ficaram alagadas.

Do outro lado do rio, no bairro Barra do Cerro, o desastre foi maior. Fernanda conta que, até o momento, dez pessoas morreram soterradas. A ponte que liga Jaraguá Esquerdo a Barra do Cerro quebrou ao meio. Postes caíram em cima de casas, muitas residências e comércios ficaram inundados. Algumas ruas ainda estão interditadas e sem energia elétrica. Por falta de professor e dificuldade de locomoção pela cidade, muitas escolas suspenderam as aulas até sexta-feira (28).

Divulgação
Caos pós-chuvas no Bairro Barra do Cerro, Jaraguá do Sul

As duas famílias apontam que o drama tem sido minimizado com a ajuda de entidades assistenciais e do próprio Governo do Estado. A irmã do metalúrgico afirma que tem passado o dia pendurada no telefone e na frente do computador em busca de ajuda e de doações. Em Jaraguá, o centro poliesportivo, conhecido como Arena, virou um grande depósito de mantimentos.

Fernanda conta que funcionários da prefeitura estão distribuindo fichas para que as famílias informem os prejuízos que sofreram. Quem pode vai até a Arena e se inscreve para receber as doações. O formulário pergunta quantas pessoas têm na família, o que foi perdido, quais as necessidades imediatas, explica. Ela já ganhou um fogão, roupas de cama, cestas básicas e água potável. 

As necessidades imediatas estão sendo atendidas pela força-tarefa promovida por órgãos publico e privados. Entretanto, ainda é cedo para saber como essas famílias terão os imóveis recuperados. Por ser feita de madeira, a casa de Fernanda precisará de uma reforma. Ela explica que o cheiro de mofo é muito forte e os móveis foram todos perdidos. Nesse momento, não temos como voltar.

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