Fogo em área de proteção no Rio pode ter sido criminoso

Fiscais do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) suspeitam que tenha sido criminoso o incêndio que destruiu cerca de 39 hectares da Área de Proteção Ambiental do Pau-Brasil, em Cabo Frio, na Região dos Lagos. O fogo foi descoberto no fim da tarde de domingo e só foi controlado pelos Bombeiros no dia seguinte.

Agência Estado |

O chefe da APA, Márcio Beranger, que hoje vistoriou a área, explicou que o fogo começou numa região alagadiça, onde predomina vegetação de taboa. Além disso, havia chovido na véspera do incêndio e o tempo estava nublado no domingo. "Não havia condição para o fogo espontâneo. Não havia sol forte e não há população próxima", afirmou.

Nesta terça-feira, o ambientalista Ernesto Galiotto sobrevoou a área e fotografou a destruição de parte da reserva. "É muito triste. Destruíram praticamente 35 campos de futebol. E o pior é que nós sabemos que crimes como esse ficam impunes", afirmou.

O fogo afetou uma área muito procurada por aves migratórias, mas não alcançou os pontos de maior biodiversidade da unidade, onde há bosques de pau-brasil, bromélias e outras espécies endêmicas, explicou o chefe da APA.

Segundo Beranger, a área incendiada pertence ao empreendimento Reservas do Peró. O projeto, que prevê a construção de resorts, entre eles o Club Med, shopping center e loteamento para mil casas, causou polêmica e enfrentou a resistência de ambientalistas e alguns políticos locais. A antiga Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente, órgão incorporado ao Inea, deu a licença prévia para o empreendimento. A reportagem procurou a Agenco, construtora que está à frente do empreendimento, mas não conseguiu contato com a empresa.

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