Fogo destrói boa parte das obras de Hélio Oiticica no Rio

RIO DE JANEIRO - Um incêndio destruiu, no final da noite de sexta-feira, no Rio de Janeiro, grande parte do acervo do escultor e artista plástico Hélio Oiticica, que morreu em 1980 aos 42 anos.

Redação |

O fogo atingiu a casa de César Oiticica, irmão do artista, na região do Jardim Botânico, no bairro de Botafogo, zona sul do Rio. A residência abrigava cerca de duas mil obras de Hélio Oiticica.

Segundo o irmão do artista, o acervo queimado estaria avaliado em cerca de US$ 200 milhões. "O valor em dinheiro não significa nada. É uma perda que o mundo inteiro irá lastimar", disse Césr à Rádio CBN.

O incêndio foi controlado pelos bombeiros na madrugada deste sábado e as causas ainda são desconhecidas. Segundo a família, os bombeiros demoraram para chegar na casa e começar o combate ao fogo.

O fogo consumiu totalmente uma sala na qual eram guardadas as pinturas e esculturas que integravam a chamada "reserva técnica" do artista plástico, ou seja, as obras que não estão em mãos dos colecionadores, nem em exposições permanentes.

As obras da "reserva técnica", parte das quais foram expostas há dois anos em uma mostra especial organizada pelo museu Tate Modern, em Londres, eram mantidas em uma sala do primeiro andar da residência de César Oiticica.

O fogo destruiu totalmente a sala-oficina que contava com sensores de umidade e temperatura, alarme anti-incêndio e diferentes dispositivos de segurança.

Segundo os familiares do artista, o incêndio começou por volta das 22h de sexta-feira (horário de Brasíia) por razões ainda desconhecidas. Os bombeiros conseguiram controlá-lo três horas depois, antes de as chamas se expandirem para outras salas ou para o segundo andar da residência.

"Queria ter morrido junto com as obras", afirmou César Oiticica, o encarregado do acervo desde a morte de seu irmão em 1980 e que vivia na residência em que aconteceu o incêndio.

No estúdio devorado pelas chamas também estavam guardados registros em vídeo, livros, arquivos e outros objetos do chamado Projeto Hélio Oiticica, uma fundação criada para preservar a obra do artista plástico.

Vida e obra

Hélio Oiticica, que nasceu em 1937 e morreu em 1980, no Rio de Janeiro, foi um dos artistas mais inovadores do Brasil e foi reconhecido internacionalmente como uma figura significativa no desenvolvimento da arte contemporânea.

Integrou, na década de 50, o Grupo Frente, aderindo, depois, ao Movimento Neoconcreto e participando de mostras no Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, entre 1959 e 1961. Em 1960, expôs seu trabalho na exposição internacional de arte concreta em Zurique, na Suíça. Nos anos 60, participou das coletivas de vanguarda Opinião 65 e Opinião 66, Nova Objetividade Brasileira e Vanguarda Brasileira.

A partir de 1965, já com o relevo adotado em seus trabalhos, Oiticica ganha destaque com manifestações ambientais, com estandartes, capas, parangolés, Tropicália, Apocalipopótese, entre outros. Em 1969, participou de uma exposição na Whitechapel Gallery, em Londres. Na década de 70, mudou-se para Nova York, onde fixou residência até 1978.

De volta ao Rio de Janeiro, deu sequência à última fase de sua breve carreira. Um ano após sua morte, seus irmãos Cláudio e Cesar criaram o Projeto Hélio Oiticica, com o objetivo de preservar a obra do artista.

(Com informações da EFE)

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