Flores e rebeldia

Flores e rebeldia Por Marisa Vieira da Costa São Paulo, 02 (AE) - Colette. A romancista francesa (1873-1954), famosa por desafiar conceitos de decência, por sua esplêndida coleção de art nouveau e pelo seu amor à natureza, dá nome ao arranjo que a florista Helena Lunardelli fez especialmente para esta reportagem.

Agência Estado |

"Colette gostava do belo e era meio rebelde. Foi um jeito de homenageá-la", diz Helena, que, dentro de um vaso preto de cerâmica, fez um mix com flores e folhagens de tons que vão do marrom ao vinho, do laranja ao amarelo, passando pelo verde e o rosa.

"Procurei misturar flores que fogem do comum, com cores que aquecem. É um arranjo à moda inglesa, mais solto, e não muito certinho como o americano, por exemplo", diz Helena, que foi arrumando como uma obra de arte callas (espécie de copo-de-leite) amarelas, alaranjadas e cor de vinho, hortênsias com flor miúda, nalvas de hastes verdes e flores cor-de-rosa, tulipas lilases, a folhagem proteia safári e o urucum, que guarda sementes de tom vermelho.

A florista explica que esse tipo de arranjo tem a ver com outono e inverno por causa dos tons e porque em dias frios as flores tendem a durar mais. "Isso não significa que não possamos encontrar tais espécies em outras épocas do ano. Hoje em dia, com a tecnologia das estufas, dá para ter qualquer flor em qualquer época. É lógico que as da estação são sempre mais bonitas e mais baratas."

Todos os dias, bem cedo, Helena já está na Ceasa, central de abastecimento de furtas, legumes e flores do estado de São Paulo, em busca de flores. Tem fornecedores fiéis que lhe trazem os ramos que abastecem seu ateliê. "Gosto de comprar de pequenos sitiantes, aqueles que cultivam flores mais raras e meio selvagens e trabalham com produção limitada, mesmo porque não seria viável economicamente plantá-las em grande escala."

Helena, formada em arquitetura, começou a trabalhar com flores em 2001, depois de ter sido paisagista e de ter feito parte do mundo da moda. "Um dia, uma amiga que fazia arranjos me convidou para ser sócia no ateliê. Topei na hora e me encontrei", conta a florista, que passou a infância em uma fazenda em Mato Grosso do Sul, em contato direto com a natureza.

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