Fim do ciclo da borracha na Amazônia vira romance

MADRI ¿ A segunda obra do antropólogo espanhol estabelecido no Brasil Oscar Calavia, com o nome de La única margen del río, relata o fim do ciclo da borracha na Amazônia.

EFE |

Calavia, professor da Universidade Federal de Santa Catarina, apresentou hoje o livro em sua cidade natal, Logroño, e se mostrou "muito lisonjeado" com as palavras do escritor chileno Jorge Edwars, que comparou ""La única margen del río", ainda sem título em português, com "O coração das trevas", de Joseph Conrad.

No Brasil há 23 anos, o autor reiterou que é impossível permanecer insensível ao romance de Conrad quando se deseja escrever um livro de aventuras reflexivas ambientada em um rio.

No entanto, ele ressaltou que são grandes as diferenças que separam esta obra do seu livro, no qual é contada a história de um personagem sem nome, sobrenome e pátria a quem chamam de Ismael, que chega à Amazônia em 1913.

Na época, as sementes extraídas pelos ingleses de maneira ilegal nos anos anteriores já tinham se transformado em árvores produtoras na Malásia e na África tropical, o que afundou os preços do látex e atingiu o setor do qual o Brasil se beneficiava.

"Marlow, personagem principal da obra de Conrad, é um agente comercial britânico, com uma vida prévia em outros livros, que viaja pelo rio Congo para buscar seu companheiro Kurtz".

Quando consegue, Conrad não vai além e só deixa intuir o mundo da barbárie que há por trás. "Meu personagem, no entanto, ultrapassa essa fronteira de trevas", disse.

Mortes, escravidão e torturas estão presentes na obra de Calavia para descrever a perversão na qual vai caindo o personagem principal com o passar do tempo.

O autor utiliza um estilo intencionalmente um pouco antigo, ameno e fácil, que desemboca em um último capítulo no qual descreve o que passou com alguns dos mais relevantes personagens da narrativa.

"Muitos deles são reais. Outros foram inventados, mas com o passar do tempo, se aprofundando no assunto, descobri que poderiam se corresponder com outros que viveram nessa época", afirmou.

    Leia tudo sobre: antropologia

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG