Fim de expediente: um encontro marcado com o sucesso

O expediente sequer havia terminado na maioria dos escritórios vizinhos, na avenida Paulista, quando uma pequena fila começou a se formar na porta do teatro Eva Herz, dentro da livraria Cultura. A aglomeração tinha um motivo. Era sexta-feira, a última do mês e, como acontece nessas ocasiões, o programa ¿Fim de Expediente¿ seria transmitido do próprio teatro. Os ingressos, gratuitos, já haviam se esgotado no início da semana. A fila representava, portanto, a última oportunidade de garantir um lugarzinho na platéia. Em pé, ansiosos pelas vagas que eventualmente pudessem surgir, estavam homens e mulheres de todas as idades, alguns ainda exibindo seus crachás de identificação funcional. Só por volta das 18h30, quando finalmente o acesso ao teatro foi liberado, a pequena multidão de espectadores anônimos pôde relaxar. Graças às cadeiras extras colocadas na platéia, todos poderiam acompanhar o programa a poucos metros de distância do ator Dan Stulbach, do escritor José Godoy, o Zé, e do administrador de empresas e especialista em finanças, Luiz Gustavo Medina, o Teco.

Glenda Mezarobba |

A idéia de reunir os amigos, em um programa de rádio que é hoje um sucesso de crítica e público, surgiu durante um passeio de bicicleta e foi do próprio ator. Cansado de falar apenas sobre seus personagens, Dan Stulbach queria expressar suas opiniões ¿ inclusive as políticas. Movido por esse desejo, foi assim que ele, Zé e Rodrigo Bueno de Moraes, o Duco, bateram na casa de Teco, numa noite de sábado. Quando o Dan começou a falar do programa, pensei que eles estavam atrás de ajuda para patrocínio ou para encontrar uma rádio, recorda Teco, que trabalha no mercado financeiro e jamais cogitou fazer algo sequer parecido com um programa de rádio. Como nenhum dos quatro tinha experiência nessa mídia, foram vários meses de gravações caseiras, apenas para testar o formato e o conteúdo do programa. Ficamos um ano nessa de comer pizza, até que gravamos um CD, que pretendíamos guardar como recordação da idéia do programa, conta Teco. Outros doze meses se passaram antes que o projeto fosse retomado e rapidamente entrasse na grade de programação da rádio CBN, com a apresentação de Dan Stulbach e a participação dos outros três amigos. Idealizado para se chamar Bem-vindos ou Encontro Marcado, ele foi definitivamente batizado pouco antes de sua estréia, pelo jornalista Carlos Alberto Sardenberg, que colaborou na gravação de um dos pilotos. Quando ele falou o nome, no corredor da rádio, a gente não gostou muito. Hoje a gente adora, relembra Zé. 

Dois anos depois do início das transmissões, e de pequenos ajustes em sua dinâmica, Fim de Expediente parece consolidado.  As filas na porta do teatro (mais de mil pessoas estiveram na edição especial de aniversário, realizada diretamente do Sesc Pinheiros) e a intensa participação dos ouvintes não são as únicas evidências do êxito alcançado. De olho no carisma de Stulbach e no perfeito entrosamento do trio, o SBT e alguns canais pagos já iniciaram sondagens para que o programa seja transmitido também pela televisão. Como se isso não bastasse, o programa acaba de ganhar o Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) na categoria variedades/rádio. Dois pilares parecem sustentar o sucesso do programa: a diversidade de seus integrantes e a espontaneidade da conversa que desenvolvem. Temos uma dinâmica própria, somos movidos a auto-ironia, brinca Zé. Posso dizer que me sinto muito confortável porque estou sendo eu mesmo, fazendo o que fazia desde o começo, que é conversar com pessoas que conheço sobre assuntos que também conheço. Mas sem o Dan eu nunca teria embarcado nessa, diz Teco. Há também uma preocupação com os temas abordados. Tento ser elegante, não ser ofensivo a ninguém, explica Stulbach. Porque eu sei como é ser entrevistado. Se você bobear, torna-se uma situação opressiva.

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