Filmes feitos com ¿tesoura e durex¿ ainda sobrevivem em Gramado

GRAMADO ¿ Com a chegada dos formatos digitais, nunca foi tão fácil e barato produzir cinema com boa qualidade técnica. Mas há quem prefira o caminho das pedras e que, mais do que isso, garanta que é compensador. É o caso dos cineastas participantes da 32ª Mostra Competitiva de Cinema Super-8, organizada pela PUC-RS, que faz parte da programação paralela do 36º Festival de Cinema de Gramado.

Fabio Prikladnicki |

Em vez de montar seus filmes em frente ao computador, como é de praxe hoje, os cineastas que optam pela bitola Super-8 ¿ iniciantes, em sua maioria ¿ precisam recorrer, em casos extremos, à boa e velha combinação de tesoura e durex para finalizar suas películas. E os casos extremos não são raros.  

Costumo dizer que o Super-8 é uma espécie de cadáver que anda. Desde 1988 não existe mais revelação desse tipo de filme no Brasil, diz Carlos Gerbase, cineasta e professor da PUC-RS. Segundo ele, os rolos precisam ser importados dos Estados Unidos e, depois de filmados, mandados para lá novamente para a revelação. Não é piada quando ele lembra que vários títulos não puderam concorrer, este ano, por causa da recente greve dos correios.

A qualidade técnica obtida no formato é, invariavelmente, precária, mas tem seu charme, acreditam os admiradores. O apelo do Super-8 é que ele é quase um fetiche. Dá um trabalho do cão, mas é uma experiência incrível para quem está fazendo, diz João Kowacs Castro, 19, diretor de Edifício Sinai, junto com Daniel Eizirik, 18, premiado ontem como o melhor entre os 15 filmes concorrentes. Segundo o júri, composto por Christian Schneider, Ingra Liberato e Vicente Moreno, o troféu foi entregue por seu olhar sensível, proposta minimalista e bom aproveitamento das características intrínsecas à bitola.

O detalhe: confirmando a experiência tragicômica que é ser um super-oitista, a película precisou ser exibida sem a trilha de som. Mas, no nosso caso, o som não tinha nenhuma importância dramática, garante Castro.

Confira, abaixo, a lista completa dos vencedores da 32ª Mostra Competitiva de Cinema Super-8:


MELHOR DIRETOR ESTREANTE
Josiane Orvatich, por Ermos Argênteos

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL
Leandro Bossy, por Artefatos

DIREÇÃO DE ARTE
Fábio Allon, por Esmarteza

MELHOR MONTAGEM
Gabriela Benedito Ramos, por Pra Enlouquecer

MELHOR ROTEIRO
Laudimir Vieira, por O Marginal, do Cinema Marginal

MELHOR FOTOGRAFIA
Sérgio Gomes, por O Grande Mundo de 4 Paredes

MELHOR DIREÇÃO
Daniel Eizirik e João Kowacs Castro, por Edifício Sinai

MELHOR FILME
Edifício Sinai, de Daniel Eizirik e João Kowacs Castro

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