Filmes com temas musicais são destaque no Festival do Rio

RIO DE JANEIRO ¿ Os filmes com temáticas musicais tomaram conta da 10ª edição do Festival do Rio, que, depois da abertura, ontem, começa de fato nesta sexta-feira (26). Dos 350 filmes selecionados e divididos em mais de 20 mostras, os que abordam questões relacionadas à música terão uma sessão própria: a ¿Midnight Songs¿.

Camila Sayuri |

Acordo Ortográfico

São sete filmes estrangeiros, como Joe Strummer: O Futuro Está Para Ser Escrito, sobre o vocalista e guitarrista do The Clash, e Patti Smith: Sonho de vida, que conta as experiências da poetisa do punk.

O roqueiro Neil Young estreia no País o documentário "CSNY - Déjá Vu", registro da turnê de retorno do grupo Crosby, Stills, Nash e Young, um dos grandes nomes da música na década de 1970, que voltou aos palcos para protestar contra a guerra do Iraque e o governo George W. Bush. Young assina o filme como Bernard Shakey, seu pseudônimo atrás das câmeras.

Entre os documentários brasileiros exibidos no festival, seis dos dez filmes em competição enfocam um tema musical. São: Cantoras do Rádio, Contratempo, Jards Macalé ¿ Um Morcego na Porta Principal, Loki ¿ Arnaldo Baptista, Palavra (En)Cantada e Titãs ¿ A Vida Até Parece Uma Festa.

Além da categoria competitiva, dois dos quatro documentários da mostra Hors Concours são sobre personalidades da música brasileira. É o caso de O Homem Que Engarrafava Nuvens, dirigido por Lírio Ferreira. O filme trata da vida do compositor, advogado e deputado federal Humberto Teixeira, autor de clássicos populares como Asa Branca.

O injustiçado

Outra produção nacional da mostra Hors Concours é Ninguém Sabe o Duro que Dei, sobre o polêmico cantor Wilson Simonal (1939-2000), dirigido pelo humorista do Casseta e Planeta Cláudio Manoel, além de Micael Langer e Calvito Leal.

Ícone de sucesso da década de 60, capaz de rivalizar com Roberto Carlos e outros cantores da Jovem Guarda, Simonal caiu no ostracismo após um episódio envolvendo agentes do Departamento de Ordem Política e Social (Dops).

Suspeitando de que seu contador o roubava, ele mandou dois agentes do Dops darem-lhe uma surra. A partir daí, foi acusado de dedo-duro e de informante do órgão. Ele virou um assunto que não poderia tocar, entrou no esquecimento, afirma Leal, um dos diretores.

Lisonjeado com o convite para participar da mostra, Leal diz que a pesquisa da biografia de Simonal começou a ser feita em 2002 por Manoel. Em 2004, ele e Langer passaram a trabalhar com o humorista no filme. A gente tentou ser imparcial, mas achamos que o que houve com ele foi uma injustiça. Simonal errou, mas pagou por um crime que cometeu mais por vaidade e ignorância do que por ser membro do Dops.

Ninguém Sabe o Duro que Dei será exibido na quarta (1) e quinta (2), no Odeon Petrobras, e na sexta-feira (3), na Estação Vivo Gávea 3.

Confira a lista dos longa-metragens e documentários com temática musical do Festival do Rio de 2009:

Midnight Songs

Africa Unite, por Stephanie Black
Café dos Maestros, por Miguel Kohan
Celia, A Rainha, por Joe Cardona e Mario De Varona
Combinação Selvagem: Um retrato de Arthur Russell, por Matt Wolf
CSNY: Déjà Vu, Bernard Shakey (Neil Young)
Joe Strummer: O Futuro Está Para Ser Escrito, por Julien Temple
Patti Smith: Sonho de vida, por Steven Sebring

Documentários (competitiva)

Loki - Arnaldo Baptista, de Paulo Fontenelle
Cantoras do Rádio, por Gil Baroni e Marcos Avellar
Contratempo, por Malu Mader e Mini Kerti
Jards Macalé - Um Morcego na Porta Principal, por Marco Abujamra e João Pimentel
Palavra (En)cantada, Helena Solberg
" Titãs - a vida até parece uma festa", de Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves

Documentários (hors concours)

Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei, por Claudio Manoel, Micael Langer, Calvito Leal
O Homem Que Engarrafava Nuvens, por Lírio Ferreira

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