Filme turco usa jovem como metáfora para dilemas do país

VENEZA ¿ A forte ligação dos turcos com a tradição e a família, principalmente a figura materna, é o tema abordado pelo filme Milk, de Semih Kaplanoglu, que será exibido no 65º Festival Internacional de Cinema de Veneza.

Agência Ansa |

O diretor Semih Kaplanoglu,
de "Milk" / Getty Images

"Na nossa sociedade, a mãe é algo sagrado, tanto é que na palavra 'pátria' usamos um termo que contém a palavra 'mãe'. Apesar de nossa sociedade ser machista, a mãe tem um papel fundamental de proteção, e na cultura da Anatólia (região da Turquia na qual a história é ambientada), a mãe representa também conceitos como pureza e castidade. Para a Turquia, a questão dos garotos que tentam afastar-se da família é um tema muito discutido", disse o diretor.

O filme é a segunda parte da trilogia na qual Kaplanoglu conta a vida do personagem Yusuf. "Desde o início quis que cada filme fosse diferente, uma obra que tivesse sentido por si mesma", explicou o cineasta.

"Com Yusuf, que não sabe que caminho seguir, um momento vivido por todos na juventude, mostro também as dúvidas da sociedade turca, que sempre se sentiu em meio a uma bifurcação: entre laicismo e religião, entre Oriente e Ocidente", disse Kaplanoglu.

O cineasta falou também do bom momento que atravessa o cinema de seu país, representado no Festival de Veneza também pelo filme "Two Lines", de Selim Evci, apresentado na Semana da Crítica.

"A produção (cinematográfica) no meu país viveu um momento de crise. A minha geração reavivou a cena nos anos 90, quando não se realizavam mais filmes. Agora há uma nova onda com cineastas de 20 e 30 anos que conseguem fazer suas obras, lançá-las e alcançar também o público internacional", disse Kaplanoglu.

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