Filme sobre julgamento de criminoso de guerra sérvio abala Berlinale

O jovem diretor alemão Hans-Christian Schmid é um dos concorrentes ao Urso de Ouro, no 59º Festival de Cinema de Berlim, com Storm, um suspense político que relata as dificuldades para se julgar um criminoso de guerra sérvio e que estreou neste sábado.

AFP |

Filmado em Sarajevo, principalmente em inglês, "Storm" mostra o difícil trabalho de Hanna, uma procuradora do Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia (TPII), com sede em Haia, que busca provar a culpabilidade do suspeito detido, um ex-militar sérvio acusado de ter deportado e assassinado centenas de civis muçulmanos bósnios.

A atriz neozelandesa Kerry Fox, lembrada por sua atuação em "Um anjo em minha mesa", de Jane Campion, é Hanna.

"Durante minha preparação para esse papel, é claro que conversei, em Haia, com vários procuradores e advogados. Impressionou-me muito a maneira como se dedicam à defesa dos direitos humanos. É algo que tem a ver com a vocação, é um chamado exercer essa vocação", disse a atriz.

O filme expõe ainda a dificuldade para se proteger as vítimas que chegam ao TPI para denunciar seus algozes e a impunidade de que gozam muitos criminosos.

A atriz romena Anamaria Marinca, mais conhecida por seu papel no filme sobre aborto "4 meses, 3 semanas e 2 dias", ganhadora da Palma de Ouro em Cannes, em 2007, interpreta uma bósnia vítima dos estupros em massa cometidos pelos soldados sérvios.

O diretor Hans-Christian Schmid, um dos expoentes do jovem cinema alemão, disse esperar que seu filme contribua para a continuação dos trabalhos do TPI, que deve fechar suas portas em 2010.

"Quisemos mostrar as pressões diplomáticas que se exercem sobre o TPI. Eles trabalham sob uma enorme pressão. A ONU quer que seu trabalho acabe em 2010, mas me parece que é preciso dar mais tempo a esse tribunal. Para as testemunhas dessa guerra, é difícil se decidir a prestar depoimento. É algo que leva tempo", comentou.

Schmid esclareceu que seu trabalho não se baseia em um caso particular entre as inúmeras atrocidades cometidas na guerra, "mas está muito perto da realidade".

jo/tt

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG