Fazer um filme sobre um agente infiltrado no IRA, em Belfast, gerou tensão e intrigas reais, revelou a diretora de 50 dead men walking, Kari Skogland, na estréia do longa no Festival de Cinema de Toronto.

"Havia muitas reuniões secretas em lugares obscuros. Não há dúvida de que estávamos sendo observados por todos os lados. Os telefones estavam grampeados, havia câmeras e várias coisas", disse a canadense Kari Skogland, na quarta à noite.

"Tive reuniões com a RUC (Royal Ulster Constabulary, a polícia norte-irlandesa), todas muito tranqüilas, porque, como me disseram, 'estamos pondo nossas vidas em suas mãos, porque se alguém sabe que estamos falando com você estaremos em perigo'", contou.

A cineasta também teve de ser "muito, muito transparente com a informação e com suas intenções sobre o filme", para não provocar a cólera de antigos membros do Exército Republicano Irlandês (IRA), acrescentou.

O esperado filme se baseia na autobiografia de Martin McGartland como um matador de Belfast, recrutado pelos serviços britânicos em 1989 para espionar o IRA.

"Filmamos em áreas muito sensíveis", continuou Kari.

"Ser um informante é um crime atroz lá", disse. "Conheciam Martin, conheciam sua história, motivo pelo qual queria que soubessem como a estávamos contando, ou teria posto nosso elenco em perigo potencial".

amc/tt

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