Filme divide platéia no quarto dia do Festival de Cinema de Gramado

GRAMADO - Começou em ritmo ágil e terminou em marcha lenta a noite desta quarta-feira (13/08) no 36o. Festival de Cinema de Gramado. A película colombiana de ação ¿Perro Come Perro¿, de Carlos Moreno, mostrou ser um dos candidatos mais fortes entre os longas-metragens da mostra competitiva. Já o documentário ¿Pachamama¿, de Eryk Rocha, sobre os embates de povos indígenas na América Latina, deixou parte da platéia entediada.

Fabio Prikladnicki |

Foi uma minoria, mas nenhum filme da mostra competitiva havia registrado, até o momento, um número significativo de pessoas deixando a sala de exibição. O fenômeno aconteceu principalmente nos primeiros trinta minutos do documentário, quando a câmera se detém longamente em paisagens e estradas, em direção à tríplice fronteira amazônica.

Passados os minutos iniciais, a narrativa engata, e a grande maioria, que permaneceu até o final, testemunhou um trabalho cuidadoso que registra a luta dos povos indígenas do Peru e, principalmente, da Bolívia por representação política. Ao invés de assumir um tom de vitimização comum em documentários sobre minorias, Pachamama mostra os conflitos internos entre os diversos povos, com destaque para as opiniões ambivalentes dos indígenas bolivianos com relação à ascensãão de Evo Morales à presidência. O farto material que restou das 80 horas de filmagem da viagem empreendida pela equipe do longa vai virar uma série de televisão intitulada Da Selva à Cordilheira.

Ainda em território latino-americano, mas no registro da ficção, o longa Perro Come Perro, que abriu a noite no Palácio dos Festivais, é um dos títulos mais surpreendentes da mostra competitiva. Na trama, ambientada na Colômbia, um bandido trapaceia seus companheiros em um roubo para ficar com o dinheiro e acaba arranjando uma bola de neve de problemas.

O filme do diretor Carlos Moreno é temperado com pitadas de uma complexa mas bem azeitada mistura de magia negra, pesadelo e bom humor, com direito a uma inusitada reviravolta na última parte. Ao final, o público percebe que não estáá simplesmente à frente de mais um filme de ação: Perro Come Perro deixa uma pulga atrás da orelha do espectador.

O quarto dia do Festival de Gramado contou, ainda, com a entrega do troféu Eduardo Abelin para o cineasta Júlio Bressane por sua trajetória. Sem papas na lííngua, o diretor de Matou a Família e Foi ao Cinema(1969) lembrou que o festival havia sido, historicamente, azedo e antipático com ele.

Bressane se ressente pelo fato de praticamente nenhum de seus filmes ter sido premiado em Gramado. Mas justificou sua satisfação em receber a homenagem devido a um novo pensamento dos organizadores do evento, com um gosto menos autoritário do que o que tinha levado o festival à sepultura - um elogio ao trabalho dos atuais curadores, José Carlos Avellar e Sérgio Sanz.

O 36º Festival de Cinema de Gramado vai até sábado, quando acontece a noite de premiaçção da mostra competitiva. Até sexta-feira serão exibidos mais quatro longas-metragens, entre brasileiros e estrangeiros, e outros quatro curtas, sem contar os da mostra gaúcha, que serão apresentados nesta quinta-feira, com uma premiação à parte.

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