Por Edith Honan NOVA YORK (Reuters) - O álbum de música islâmica gravada pelo cantor pop Youssou NDour em 2004 lhe valeu o boicote de alguns fãs muçulmanos, mas, em um documentário que está lançando sobre o álbum, Egypt, ele diz que a música incentivou uma apreciação mais profunda do islã.

"Youssou N'Dour: I Bring What I Love" , documentário dirigido por Chai Vasarhelyi que estreou em Nova York na sexta, contrasta a recepção entusiasmada ao álbum "Egypt", premiado com o Grammy, durante turnê do cantor pela Europa e Ásia, com a recepção fria no país nativo do cantor, Senegal, onde o álbum foi alvo de boicote.

"Quando há uma quebra com a tradição, as pessoas não conseguem aceitar de imediato. Leva um pouco de tempo", disse o cantor de 49 anos.

"Senti que o álbum poderia ser uma contribuição positiva. Minha música diz que o islã é tolerância e paz."

O filme mostra a polêmica em torno do álbum, acompanhando N'Dour em turnê e depois que ele recebeu um Grammy por "Egypt" em 2005.

Na Europa, quando N'Dour apresentou canções como "Allah", cantada na língua wolof com orquestra egípcia clássica, ele foi ovacionado em pé e houve poucas complicações.

Na Irlanda, N'Dour, que se descreve como muçulmano devoto, atrasou sua apresentação por meia hora para pedir ao público que não tomasse cerveja.

No Senegal, jornais acusaram o cantor -- que já colaborou com Bono e Peter Gabriel -- de insultar o islã, dizendo que música pop e religiosa não devem ser misturadas.

Quando N'Dour se juntou a outros membros da irmandade Mouride, um ramo do sufismo islâmico africano, numa peregrinação anual à cidade santa senegalesa de Touba, ele foi repudiado.

Descendentes de Cheikh Ahmadou Bamba, místico, poeta e pacifista muçulmano que fundou a irmandade nos anos 1880, chegaram a ameaçá-lo com um processo, mas a ameaça mais tarde foi descrita como mal-entendido.

N'Dour disse que, quando gravou "Egypt," quis apresentar ao público mundial uma música que "louva a tolerância de minha religião" e destacar as contribuições da África ocidental ao islã.

Ele gravou o álbum antes dos ataques de 11 de setembro de 2001 nos EUA, mas adiou seu lançamento para evitar qualquer vinculação da música aos ataques.

Em 2004, ele achou que já esperara o suficiente.

"A música é parte de tudo. Minha religião também é parte de tudo", disse N'Dour.

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