Filme de Spike Lee irrita ex-guerrilheiros italianos

ROMA (Reuters) - O diretor de cinema Spike Lee provocou uma polêmica na Itália com um filme sobre soldados norte-americanos negros que lutaram ao lado de guerrilheiros da resistência italiana na Segunda Guerra Mundial. Os membros sobreviventes da resistência à ocupação nazista na Itália discordaram de Miracle at St. Anna antes da estréia italiana do filme na sexta-feira, distribuindo panfletos de protesto que acusavam Lee de distorcer a história.

Reuters |

Lee disse que quer passar a limpo o papel desempenhado pelos soldados negros dos Estados Unidos na guerra. O filme é baseado em um romance de James McBride e foca na 92a Divisão Búfalo, que ajudou a libertar a Itália entre 1944 e 1945.

No centro da polêmica está a representação de um massacre de 1944 na cidade de Sant'Anna di Stazzema, na Toscana, onde tropas nazistas cercaram e mataram 560 civis.

No filme, o massacre é retratado como uma resposta às ações de guerrilheiros da resistência, com um deles traindo a cidade e cooperando com os nazistas -- uma versão dos eventos que irritou os sobreviventes da resistência.

Lee, que está na Itália promovendo o filme, respondeu às críticas com seu jeito tipicamente mal humorado.

"Eu não permitira que ninguém me dissesse como fazer um filme, seja ele um ex-membro da resistência ou o presidente dos Estados Unidos", disse Lee em uma entrevista coletiva em Florença na quarta-feira depois de uma exibição prévia, de acordo a imprensa italiana.

"Isso simplesmente mostra que na Itália a ferida ainda está aberta. É assunto dos italianos desentender-se com o seu passado, não é meu ou de James McBride, ou do filme", disse.

Membros da associação Anpi de guerreiros da resistência não estavam contentes.

"Para Spike Lee, os guerrilheiros que 'atacaram e depois fugiram' foram responsáveis pelo massacre de Sant'Anna di Stazzema", disse a Anpi em seu site.

"Antes de filmar, o diretor deveria ter lido a verdade sobre aquele horrível massacre", disse a associação, postando uma cópia do veredicto de 2005 do tribunal militar italiano que condenou dez ex-oficiais nazistas pelos assassinatos.

(Reportagem de Silvia Aloisi)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG