CANNES, 15 MAI (ANSA) - Agradou à imprensa e à crítica o filme em concurso do cineasta argentino Pablo Trapero, La Leonera, apresentado na manhã desta quinta-feira no 61ª Festival de Cinema de Cannes.

Na história da detenção de uma garota mãe, condenada pelo assassinato do amante, o autor de "Nascido e Criado" (2006) mostra seu já conhecido talento pelo detalhe, pelo virtuosismo estético e pela pesquisa sobre as solidões humanas.

Grande parte do mérito do filme vai certamente para sua mulher, Martina Gusman, que interpreta o papel da protagonista, Julia.

Quando Julia acorda, em uma manhã de Buenos Aires, demora a registrar os sinais da confusão que semidestruiu seu apartamento, o sangue em suas mãos, os golpes e as feridas que traz em seu corpo.

Quase em transe chega até a ir trabalhar, mas, voltando para casa, encontra forças para pedir ajuda e cuidar do homem deitado no chão ao lado do cadáver de seu namorado.

Nos interrogatórios especula-se que talvez tenha sido ela a assassina, mas que a briga teve início entre os dois homens e que a mulher é algoz e vítima ao mesmo tempo.

Levada à prisão, ela dá à luz dentro da cela ao filho Tomas, de que posteriormente tentará cuidar e proteger de todas as formas.

Na solidariedade feminina da prisão, a descoberta da maternidade, a esperança de sair de um destino já traçado, passam-se os anos nos quais a garota Julia se torna mulher, até tentar, durante um indulto, uma fuga que a levará com seu filho para uma nova vida.

Neste ponto o filme de Trapero se destaca, se distancia e nos separa da vida de Julia, como que assinalando o limite entre a ficção e a vida verdadeira.

Auxiliando na produção do filme estiveram o cineasta brasileiro Walter Salles e a coreana Youngjoo Suh, que quis apostar em um talento sem pensar nas lógicas da distribuição da gigante Cineclick Asia, dirigida por ela.

A influência de tais produtores aparece certamente no tom do filme, na suavização de algumas das durezas do cinema de Trapero. (ANSA)

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