Filme de Atom Egoyan abre luta por estatueta em San Sebastián

Mateo Sancho Cardiel. San Sebastián (Espanha), 18 set (EFE).- O filme Chloe do diretor canadense Atom Egoyan que mostra a turbulência de um casamento, em uma febril mistura de drama dos personagens de Julianne Moore e Liam Neeson, inaugurou hoje a competição do 57º Festival de Cinema de San Sebastián, no norte da Espanha.

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"É um filme sobre o casamento, sobre o fato de termos que nos reinventar várias vezes ao longo da vida", detalhou Egoyan, sobre a complicada trama que envolve mentiras e a tentativa de um casal de reencontrar o desejo.

"Chloe" retrata a angústia de uma mulher que percebe o desinteresse do marido por ela, e que passa o dia em meio de jovens alunas.

"Em nossa cultura, a imagem é cada vez mais importante. E entre essas imagens sempre está a do que poderíamos ter sido, o que se traduz inevitavelmente em uma insatisfação. Isto repercute especialmente na família e no casal", explicou o diretor em entrevista coletiva.

Convencida que seu casamento está condenado à infidelidade, a protagonista do filme rodado Toronto, contrata a prostituta "Chloe" para seduzir seu marido e, pelo menos, controlar a situação.

Egoyan, indicado ao Oscar com o "O doce amanhã" e autor de títulos de culto como "Exótica", repete os sinuosos caminhos do desejo e volta a refletir sobre a necessidade de correr em busca do que se quer.

A prostituta, interpretada pela atriz Amanda Seyfried, de "Mamma Mia!", se transforma no único vínculo da esposa para recriar as mesmas cenas eróticas que ela já não desfruta mais. Um complicado enredo que Egoyan resolve com irregularidade.

"Esta claro que o sexo não é um simples manipulação. É um momento secreto e pessoal em que duas pessoas se comunicam", sintetizou.

"Chloe" demonstra a investigação dos caminhos da excitação e vai passando de um retrato clássico da infidelidade a uma análise profunda da insegurança pessoal de uma mulher de meia idade, com seus fantasmas e a sua realidade.

Egoyan com a sua sensibilidade cinematográfica deixa que seus personagens, inicialmente muito consistentes, sejam corrompidos pouco a pouco.

"Chloe", em consequência, abre com frieza a competição e se transforma em um título que passará para a história por outros motivos, a morte repentina em 18 de março de Natasha Richardson, mulher de Neeson.

"Isso nos afetou profundamente e também ao filme. Pouco depois do funeral, incrivelmente emocionado, ele pediu para voltar a filmar.

Nunca poderei agradecê-lo", reconheceu Egoyan.

Fã declarado do cinema de Luis Buñuel, o diretor confessou que em "Chloe" criou um personagem inspirado em Pasolini, do filme "Nathalie X", de Anne Fontaine, uma obra da qual não considera tenha feito uma nova versão, mas sim uma reinvenção.

Entre as estrelas que vão passar pelo Festival de Cinema de San Sebastián nos próximos oito dias, está o ator americano Brad Pitt, com o filme "Inglourious Basterds" (Sacanas Sem Lei, em livre tradução).

Na competição pela Concha de Ouro não haverá muitas celebridades.

Mas, entre os destaques figuram três diretores franceses, François Ozon, Bruno Dumont e Christophe Honoré, assim como a representação do novo cinema espanhol: Isaki Lacuesta, Javier Rebollo e a dupla que formam Antonio Naharro e Álvaro Pastor. EFE msc/dm

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