Filme chinês rouba a cena no Festival de San Sebatián

San Sebastián (Espanha), 21 set (EFE).- A produção chinesa City of Life and Death, de Lu Chuan, roubou a cena hoje no Festival de Cinema de San Sebastián, na Espanha, e entrou na disputa pela Concha de Ouro, o prêmio máximo do evento.

EFE |

Por outro lado, "Making Plans For Lena", o aguardado novo filme do francês Christophe Honoré, decepcionou e até mesmo irritou alguns espectadores.

"City of Life and Death" retrata o episódio da ocupação chinesa conhecido como o Massacre de Nanquim ou Estupro de Nanquim (1937), um genocídio cometido pelo Exército japonês durante a Segunda Guerra Mundial, e convenceu ao destilar poesia em sua viagem histórica e emocional.

"As pessoas de fora da China não tiveram a oportunidade de conhecer este massacre", explicou Lu, cujo filme favorito é, não por acaso, "A Lista de Schindler" (1993), de Steven Spielberg.

O uso límpido do preto e branco convive em "City of Life and Death" com a brutalidade da batalha, cujo horror coloca vencedores e vencidos no mesmo patamar.

"Não queria fazer um filme contra os japoneses. Li diários da época e descobri que eram pessoas como nós. Portanto, o filme quer refletir sobre como os homens se relacionam em uma guerra", explicou Lu.

Além disso, "City of Life and Death" fala de uma figura controvertida: John Rabe, um nazista residente na China que, por outro lado, salvou a vida de 200 mil civis durante o Massacre de Nanquim, o que lhe rendeu o apelido de "Oskar Schindler da China".

"Queria contar sua história. É um dos motivos pelos quais quis fazer este filme", disse o diretor.

"City of Life and Death" roubou a cena do filme que seria a estrela do dia em San Sebastián, "Making Plans for Lena", de Christophe Honoré, que no ano passado concorreu com "A Bela Junie".

Ao contrário de seu filme anterior, em "Making Plans for Lena" a afetação dialética não dá profundeza e elegância ao filme, mas atravanca seu discurso.

A produção se centra na Lena do título, uma mulher recém divorciada que se reúne com sua família em uma casa de verão. Pouco a pouco, o filme esmiúça seu caráter contraditório dentro de uma família na qual a velhice é juvenil e libertadora e a infância, angustiante.

"O filme nos questiona sobre a falta de maturidade. Na minha geração, temos medo de não sermos levado em conta como adultos, e falamos com nossos filhos como se fossem muito mais adultos do que são", disse Honoré, de 39 anos, em entrevista coletiva.

Com uma argumentação tão válida sobre questões tão importantes, é uma pena que o filme não estivesse à altura.

"O filme não tenta seduzir ao espectador, e isso me parecia original. É muito mais humano mostrar a contradição do personagem, gosto do fato de que pode chegar a ser irritante para o espectador", justificou a protagonista de "Making Plans for Lena", Chiara Mastroianni. EFE msc/bba

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