Filhos do pintor Mark Rothko querem mudá-lo de cemitério

NOVA YORK, 8 ABR (ANSA) - O célebre pintor moderno Mark Rothko pode ter que mudar de cidade. Morto em fevereiro de 1970, após cortar os próprios pulsos, o mestre do expressionismo abstrato foi sepultado no pequeno cemitério de East Marion, no norte de Long Island (NY), mas seus filhos agora pretendem levar seus restos a um cemitério judeu em Valhalla (NY), onde está enterrada sua ex-mulher.

Agência Ansa |

Nascido na Letônia no seio de uma família judaica em 1903, imigrado aos Estados Unidos e expoente do expressionismo abstrato nova-iorquino nas décadas de 50 e 60 -- apesar de rejeitar o rótulo --, Rothko se separou da esposa no início de 1969, fato que dificulta o pedido de Kate Pritzel e Christopher Rothko.

Oficialmente, eles querem "reunir os pais para o descanso final por eles desejado, respeitando a fé judia de Mark Rothko", como se pode ler no pedido encaminhado a um tribunal local, cujo texto foi publicado hoje pelo New York Times.

Após sofrer um aneurisma de aorta, o pintor deixou a esposa e foi morar em seu estúdio, em Nova York, onde seu assistente Oliver Steindecker o encontrou morto na cozinha, com uma lâmina de barbear ao lado. 

Para East Marion, uma tranqüila cidade povoada por artistas, perder o túmulo de Rothko -- a única atração local -- seria um drama, como explica a responsável pelo cemitério, Nancy Poole, ao NY Times: "é a única pessoa famosa que temos". De qualquer modo, o cemitério permitirá a transferência dos restos do pintor, caso seja confirmada por um juiz de Nova York, no prazo de três meses.

Não é a primeira vez que o pintor letão é colocado no centro de imbróglios relacionados diretamente com um de seus filhos. Pouco depois de sua morte, Kate e Chris processaram os escritores testamentários (entre eles Theodoros Stamos, amigo do pintor e também um expressionista abstrato), acusando-os de vender obras de valor inestimável a preços inferiores. Em um terreno comprado por Stamos se encontra atualmente o túmulo de Rothko.

Em meio às polêmicas, Mark Rothko se tornou um dos pintores mais caros em absoluto: o seu "White Center (Yellow, Pink and Lavender on Rose)" foi vendido por US$ 72,8 milhões. (ANSA)

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