Filho de promotora depõe sobre morte de rapaz no Rio

RIO DE JANEIRO ¿ O filho da promotora Márcia Teixeira Velasco, Pedro Velasco, que estava com o policial militar suspeito de ter baleado e matado o estudante Daniel Duque Pittman, de 18 anos, em frente a boate Baronetti, em Ipanema, na zona sul do Rio, prestou depoimento, que terminou na madrugada desta terça-feira, na 14ª DP (Leblon).

Redação |


De acordo com a polícia, Daniel foi baleado e morto pelo PM Marcos Parreira do Carmo que fazia, há sete anos, a segurança da promotora do Ministério Público Estadual. De acordo com o procurador-geral de Justiça do Rio, Marfan Martins Vieira, ela vem sendo ameaçada há um bom tempo pelo traficante Fernandinho Beira-Mar e, há dez dias, o tom das ameaças tem aumentado.

O conteúdo do depoimento de Pedro não foi divulgado pela polícia, que ainda não deu nenhuma declaração oficial sobre o caso. De acordo com testemunhas, Pedro chegou a unidade policial acompanhado por um outro segurança. O carro utilizado por ele no dia em que Daniel morreu foi apreendido pela polícia. O filho da promotora não quis comentar o caso.

O laudo pericial mostra que o tiro disparado a curta distância contra o rapaz, mas a polícia, que espera concluir o inquérito até o fim desta semana, aguarda esclarecimentos para saber se o jovem foi atingido pela frente ou pelas costas. Se for necessário, pode ser requisitada uma reconstituição do fato.

O procurador-geral do ministério, Marfan Martins Vieira, afirmou que vai instaurar nesta segunda-feira um procedimento administrativo no MP para apurar as circunstâncias da morte do jovem. A investigação independente do processo criminal aberto pela Polícia Civil e, se for comprovado desvio de conduta, o acusado pode ser devolvido à corporação. O PM ¿ que está preso e foi autuado em flagrante acusado de homicídio - e testemunhas serão ouvidos.

Divulgação
eae
Daniel Duque, 18
Bastante abalados, amigos e familiares de Daniel deixaram vários recados na página de recados do adolescente no site de relacionamentos Orkut.

Acionado pela família do rapaz, o Consulado dos Estados Unidos no Rio informou que vai "acompanhar e encorajar" as investigações do caso. O consulado foi contatado no fim de semana, pois o pai do rapaz é norte-americano e vive em Washington e pelo fato de Daniel ter dupla nacionalidade.

Nota de repúdio

A Polícia Militar divulgou nota de repúdio em que condena a atitude de Marcos do Carmo Parreira. Segundo a corporação, de acordo com o andamento das investigações, o jovem poderá ser expulso do quadro da PM.

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, classificou o policial como "descontrolado e mal preparado". A declaração foi dada durante solenidade na Baixada Fluminense. Cabral se disse chocado e lembrou que tem um filho da idade do rapaz assassinado.

Atletas multados

A diretoria do Botafogo decidiu punir, nesta terça-feira, o meio-campo Diguinho e o zagueiro Eduardo, em 30% do salário. Os dois jogadores também serão obrigados a treinar, por tempo indeterminado, em dois períodos, mesmo que o resto da equipe faça trabalhos em apenas um turno.

Eles estavam na boate Baronetti, em Ipanema, na zona sul do Rio, na véspera da partida contra o Fluminense pelo Campeonato Brasileiro e presenciaram a morte de Daniel, que era atleta de remo do clube.


O caso

Segundo testemunhas, a vítima estava comemorando um aniversário na boate Baronetti, em Ipanema, na zona sul, quando, por volta das 5h, saiu do estabelecimento acompanhando de dois amigos. Daniel seguiu na frente com um dos amigos e se envolveu em uma briga com um grupo rival. O estudante teria ficado bastante machucado, quando foram ouvidos três tiros, dois para o alto e um que atingiu o jovem.

Ele foi levado às pressas para o Hospital Copa Dor, em Copacabana, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. A administração da Baronetti informou que não foram registradas brigas ou confusões dentro da boate.

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