Filha de diretora atua em empresa que Senado contratou

Responsável pelos trabalhos de estenotipia (digitação informatizada) de todas as reuniões que ocorrem nas comissões do Senado, a Steno do Brasil Importação, Exportação, Comércio e Assessoria Ltda tem em seus quadros Mariana Cruz, filha da diretora de Comissões da Casa, Cleide Maria Barbosa Ferreira Cruz. A Steno é contratada do Senado com gastos autorizados de até R$ 2,2 milhões ao ano, desde janeiro de 2006.

Agência Estado |

A polêmica em torno da Steno já foi parar no Ministério Público. Motivo: além da denúncia de nepotismo, os taquígrafos do Senado teriam ficado preocupados com a contratação da empresa, que, na prática, faz o seu trabalho.

“A Mariana foi trabalhar na minha empresa antes de o contrato ser fechado com o Senado. Sou amigo do pai dela. Ela estava desempregada e eu estava precisando de uma pessoa”, afirmou Alexandre de Almeida, diretor regional da Steno, em Brasília. Ele afirmou que contratou Mariana seis meses antes de o contrato com o Senado ser fechado. Segundo Cleide, a proposta de terceirizar os trabalhos da taquigrafia foi feita, em 2005, pelo então primeiro-secretário da Casa Efraim Moraes (DEM-PB). Na época, três comissões parlamentares de inquérito estavam em andamento: A CPI dos Correios, a CPI dos Bingos e a CPI do Mensalão. Os taquígrafos do Senado, que são, ao todo, 100, não davam conta do trabalho.

“Tínhamos urgência e tudo era feito no mínimo em 15 dias pela taquigrafia”, afirmou Cleide, que ocupa a diretoria de Comissões desde 1991. Em depoimento ao Ministério Público, ela contou que, em 2005, Efraim, na época também presidente da CPI dos Bingos, “vivenciou e acompanhou as dificuldades enfrentadas pela depoente com a Secretaria de Taquigrafia”. No depoimento, Cleide disse que o senador encaminhou para ela a proposta da Steno e que, depois de analisá-la, “chegou à conclusão de que aquele serviço supria a necessidade da Secretaria de Comissões”. Cleide afirmou ainda que fez um ofício para Efraim explicando “as razões pelas quais o serviço da Steno era necessário”.

As denúncias de contratação de filhos de funcionários do Senado por empresas terceirizadas não param por aí. A diretora da Secretaria de Taquigrafia, Denise Ortega de Baere, tinha até pouco tempo atrás um filho nos quadros da TV Senado. “Ele era operador de áudio e entrou depois de fazer uma prova”, disse Denise. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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