Mais de 500 pessoas formam uma fila em frente ao Palácio das Araucárias, sede do governo do Paraná, em Curitiba, para acompanhar o velório da médica Zilda Arns, morta no terremoto que atingiu o Haiti na terça-feira. Por volta das 15 horas, dom Geraldo Majella Agnelo, cardeal primaz do Brasil, arcebispo de Salvador e cofundador da Pastoral da Criança, celebrava missa com a presença de cerca de 300 pessoas no Palácio.

A visitação foi interrompida durante a missa, que já durava cerca de 1h30.

Médica pediatra e sanitarista, Zilda Arns foi fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança. Irmã do cardeal-arcebispo emérito de São Paulo, d. Paulo Evaristo Arns, ela dedicou sua vida a trabalhos de solidariedade e ao combate à desnutrição infantil. Em 1983, a pedido do irmão, fundou a Pastoral, entidade que tem apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e atua em 27 países. Também estava envolvida na coordenação da Pastoral da Pessoa Idosa.

Zilda nasceu em Forquilhinha (SC), era viúva e deixa quatro filhos; Rubens, Nelson, Rogério e Heloísa. Ela será enterrada no Cemitério da Água Verde, em Curitiba, ao lado de seu marido, Aloysio Bruno Neumann, falecido em 1978, e de uma filha que perdeu dias após o parto. No Haiti, Zilda participava da Conferência dos Religiosos e acompanhava o início dos trabalhos da Pastoral da Criança no país caribenho.

Sua atuação rendeu diversos prêmios e homenagens no Brasil e no mundo. Ela foi a indicada oficial do governo brasileiro ao Prêmio Nobel da Paz quatro vezes: em 2001, 2002, 2003 e 2005. Em janeiro de 2006, dentro da campanha "Mil Mulheres para a Paz", foi uma das indicadas ao Nobel junto com outras 999 mulheres de todo o mundo. Ontem, o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), sugeriu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o lançamento da candidatura póstuma de Zilda Arns ao Prêmio Nobel, caso seja possível.

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