FHC quer que ONU foque consumo no combate à droga

Depois de co-presidir, com o ex-presidente colombiano Cesar Gaviria, a reunião de lançamento da Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia, o ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso defendeu hoje que os latino-americanos proponham à Organização das Nações Unidas (ONU) em 2009 focar no consumo, e não mais na repressão - as políticas antidrogas. A proposta, que deverá enfrentar resistência dos Estados Unidos, foi uma das levantadas no encontro, o primeiro da série de três para tentar fechar uma proposta unificada latino-americana para o encontro sobre o tema, em março do próximo ano.

Agência Estado |

Fernando Henrique afirmou que, enquanto nos EUA o consumo estagnou, está em crescimento na América Latina. "Ficou claro que é preciso ter um ponto de vista, a respeito da questão da droga e da violência, que corresponda à situação latino-americana", afirmou. Ele também lembrou que os países da América Latina não têm a mesma capacidade repressiva dos EUA. "Então precisamos, sem desfazer da importância do controle e da repressão, buscar alternativas", disse. "Como diminuir o consumo? De que maneira atuar mais sobre o consumo, que, no caso do Brasil, sobre a produção?"

O ex-presidente afirmou que isso não significa se declarar a favor da legalização das drogas. "Mas significa dizer que não se pode usar a mesma medida repressiva para todas as drogas, porque não têm as mesmas conseqüências", disse. "Não tem sentido penalizar da mesma maneira quem faz tráfico de heroína e quem traz maconha. Não é a mesma coisa. Não pode ter uma visão fechada."

Ele afirmou que existem experiências na América Latina que mostram mecanismos eficazes e que não são só de repressão como também de prevenção. Fernando Henrique disse que mesmo nos EUA já há quem perceba que só reprimir não adianta. Anualmente, segundo ele, os norte-americanos gastam US$ 40 bilhões com a repressão ao tráfico, que movimento R$ 60 bilhões. "Quase se gasta com a repressão mais que todo o negócio de drogas", disse. "É uma prova de que a repressão não está sendo eficaz. E já há gente nos Estados Unidos que percebe isso."

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