Fetraf ocupa fazendas de irmão de deputado

A Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar de Pernambuco (Fetraf-PE) ocupou na madrugada de hoje duas fazendas de propriedade do irmão do deputado federal Carlos Wilson Campos (PT), Wilson Campos Junior, no município de Santa Maria da Boa Vista, no sertão do São Francisco.

Agência Estado |

"É preciso ousar para avançar com a reforma agrária já que o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e o governo federal são inoperantes", afirmou o dirigente estadual da Fetraf, João Santos. A meta do movimento é chegar a 35 ocupações até o final do mês - 12 já foram realizadas.

Também dentro da Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) realizou mais 15 ocupações na manhã de hoje em todas as regiões de Pernambuco: sertão, agreste, zona da mata e região metropolitana. Com as três áreas ocupadas ontem), chega a 18 o total de ocupações na jornada - realizada sempre no mês de abril, desde o massacre de Eldorado dos Carajás. Na ocasião, 19 trabalhadores sem-terra foram assassinados por policiais militares.

Irrigação

As fazendas do irmão do deputado Campos são a Poço do Icó e a Planalto. Segundo Santos, as terras são improdutivas e estão sendo irrigadas pelas águas de uma barragem que transbordou, situada em uma propriedade vizinha. De acordo com ele, 110 trabalhadores ocuparam a Poço do Icó e outros 112 estão na fazenda Planalto, já se preparando para plantar melão, melancia, coco, batata-doce e banana, entre outras culturas. Duzentos agricultores ligados à Fetraf-PE seguiram ontem, em quatro ônibus, para engrossar o Acampamento Nacional da Reforma Agrária, em Brasília.

"A reforma agrária no Brasil está praticamente parada", afirma nota do MST-PE, que informa as 18 áreas ocupadas em dois dias. "Em Pernambuco, não houve uma única terra desapropriada ou uma família assentada (ligada ao MST) no ano passado". O movimento também cobra o fim da impunidade nos conflitos de terra e cita relatório anual da Comissão Pastoral da Terra (CPT): entre 1985 e 2004, 1.388 trabalhadores rurais foram assassinados. Desses casos, 77 acusados foram a julgamento, com a condenação de apenas 15 mandantes e 65 executores.

Segundo o MST, 3.660 pessoas participaram das 18 ocupações. As 15 realizadas hoje foram nas fazendas Picos (Petrolândia), Porto (Santa Maria da Boa Vista), Aracatu (Petrolina), José Gomes (Carnaubeira da Penha), Acampamento Liberdade (Cabrobó), Tiú (Serra Talhada), Bananeiras (Caruaru), Grande (Buíque), Paraguaçu (Itambé), Serra Grande (Gravatá), Engenhos Brilhante, Dois Braços de Cima e São José (Escada), engenho Xixaim (Moreno) e engenho Gurijó (Goiana). As ocupações de ontem incluem as fazendas Baixa Grande (São José do Belmonte), Várzea Nova (Timbaúba) e Ipanema (Pesqueira).

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