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Festival É Tudo Verdade dribla crise, continua gratuito e se divide em dois

SÃO PAULO ¿ Maior evento dedicado ao gênero documental na América Latina, o festival ¿É Tudo Verdade¿ chega à 14ª edição ampliando seu calendário. Ainda gratuito, apesar da crise financeira que começa a mostrar a cara em território nacional, o festival tem uma primeira etapa de 25 de março a 05 de abril, com os filmes em competição, mas retorna no segundo semestre, ainda sem data definida, exclusivamente para exibir retrospectivas e abrigar mostras especiais, como nos anos anteriores.

Marco Tomazzoni |

Depois de Berlim, "Garapa", de José
Padilha, chega ao Brasil / Divulgação

Pela manhã, durante a apresentação da programação para a imprensa, o diretor-geral do É Tudo Verdade, Amir Labaki, afirmou que essa alteração estrutural significativa é resultado de um pedido do próprio público, já que, em outras edições, a fartura de filmes agendados ¿ em média 110 para nove dias ¿ deixava pouco espaço na agenda para reprises. Decidimos que era importante aumentar a chance das pessoas assistirem aos filmes. Agora, haverá um número maior de sessões para cada documentário, explicou.

Além disso, Labaki defendeu que a divisão na programação vai ajudar a fortalecer a presença do gênero no calendário cultural, como provou a experiência, há três anos, do colóquio internacional Visible Evidence, realizado em parceria com a USP, bem recebido por público e crítica. Vamos estender o calendário do É Tudo Verdade para o segundo semestre, criando o que talvez seja o desenho ideal do festival, uma etapa competitiva e outra de mostras especiais, disse, se referindo a ciclos como O Estado das Coisas, Horizonte e Foco Latino-Americano, entre outros, que têm presença cativa no evento. Aumentaremos a oportunidade do público brasileiro ter acesso à nata do documentário mundial, garantiu.

Batendo à porta das empresas nacionais, a crise financeira também teve reflexo, mesmo que brando, na produção do evento. Houve atraso na definição de aportes dos patrocinadores e perdemos em torno de 15% do orçamento previsto para este ano, contou Labaki. Segundo ele, a divisão do calendário vai acabar encarecendo os custos com equipe, salas e tradução, mas ao mesmo tempo aumentará o prazo de captação de recursos. Conseguimos nos organizar, mas vai ser um ano duro para todo mundo. Muito me orgulha estar à frente de um dos últimos festivais internacionais do Brasil a manter a entrada franca.

Padilha e Coutinho são destaques

Sete documentários vão estar na disputa na competição de longa-metragem brasileiro, seis deles inéditos. O único exibido anteriormente é um dos mais aguardados ¿ Garapa, de José Padilha (Tropa de Elite, Ônibus 174) participou em fevereiro de uma mostra paralela no Festival de Berlim, inaugurando na Europa uma discussão que deve ser bem mais intensa no Brasil: a fome no mundo, mostrada no filme através de famílias do sertão cearense.

"Moscou" é o primeiro trabalho de Eduardo
Coutinho após "Jogo de Cena" / Divulgação

O veterano Eduardo Coutinho (Jogo de Cena, Edifício Master), um dos mais importantes nomes do documentário nacional, vai mostrar em primeira mão Moscou, os bastidores da montagem do Grupo Galpão, de Belo Horizonte, para o texto Três Irmãs, de Tchecov. Outros destaques são Cildo, de Gustavo Rosa de Moura, sobre o premiado artista plástico brasileiro Cildo Meirelles, e Corumbiara, registro de Vincent Carelli para o massacre indígena que ocorreu em 1985 em Rondônia. O vencedor ganhará o Prêmio CPFL de R$ 100 mil, o maior do gênero no País.

A mostra estrangeira, por sua vez, teve 12 longas e médias-metragens selecionados entre 115 inscritos de todo o mundo. Segundo Labaki, os concorrentes conjugam jovens talentos e vencedores de importantes competições internacionais. É o caso do britânico Tias Duronas (Rough Anties), vencedor em Sundance 2009, o alemão Esquecido Papai (Forgetting Dad), ganhador do Prêmio Especial do Júri no Festival de Amsterdam, e Segundas Sangrentas & Tortas de Morango, ensaio sobre o tédio narrado por John Malkovitch, premiado na Holanda.

Veja abaixo a lista completa de selecionados para competição:

Brasil ¿ Médias e longas-metragens
A Chave da Casa, de Paschoal Samora e Stela Grisotti (SP, 68 min)
Cidadão Boilesen, de Chaim Litewski (RJ, 92 min)
Cildo, de Gustavo Rosa de Moura (RJ, 84 min)
Corumbiara, de Vincent Carelli (PE, 117 min)
Garapa, de José Padilha (RJ, 110 min)
Moscou, de Eduardo Coutinho (RJ, 80 min)
Sobreviventes, de Miriam Chnaidermann e Reynaldo Pinheiro (SP, 52 min)

Internacional ¿ Médias e longas-metragens
Am I Black Enough For You? - A História de Billy Paul (Am I Black Enough For You?), de Goran Olsson (Suécia, 85 min)
Esquecido Papai (Forgetting Dad), de Rick Minnich e Matt Sweetwood (Alemanha, 84 min)
O Esquecimento (El Olvido), de Heddy Honigmann (Holanda-Alemanha, 94 min)
O Maior Restaurante Chinês do Mundo (The biggest chinese restaurant in the world), de Weijun Chen (China, 80 min)
Perturbados (Mental), de Kazuhiro Soda (Japão, 135 min)
Problema é Comigo (Trouble is My Business), de Juliette Veber (Nova Zelândia, 82 min)
René (René), de Helena Trestikova (República Tcheca, 83 min)
Retorno a Fortin Olmos (Regreso a Fortin Olmos), de Patrício Coll e Jorge Goldenberg (Argentina)
Segundas Sangrentas & Tortas de Morango (Bloody Mondays & Strawberry Pies), de Coco Schrijber (Holanda, 87 min)
Tias Duronas (Rough Aunties), de Kim Longinotto (Reino Unido, 104 min)
Tudo é Relativo (Alt er relativt), de Mikala Krogh (Dinamarca, 75 min)
VJs de Mianmar - Notícias de um País Fechado (Burma VJ ¿Reporting from a Closed Country), de Anders Hogsbro Ostegaard (Dinamarca, 85 min)

Brasil ¿ Curtas-metragens
A Arquitetura do Corpo, de Marcos Pimental (MG, 21 min)
A Casa dos Mortos, de Débora Diniz (DF, 24 min)
Chapa, de Tatiana Toffoli (SP, 18 min)
Confessionário, de Leonardo Sette (PE, 15 min)
Leituras Cariocas, de Consuelo Lins (RJ, 13 min)
Nellos, de André Ristum (SP, 25 min)
No Tempo de Miltinho, de André Weller (RJ, 18 min)
Samba de Quadra, de Gustavo Mello e Luiz Ferraz (SP, 16 min)
Ser Tão, de Luis Guilherme Guerreiro (RJ, 20 min)

Internacional ¿ Curtas-metragens
Areias Vermelhas (Red Sands), de David Procter (Reino Unido, 25 min)
Arrancando a Alma (Severing the Soul), de Bárbara Klutinis (EUA, 18 min)
Bem Longe de Casa (Sylistä Syliin), de Marika Vaisanen (Finlândia, 15 min)
Chirola (A Chirola), de Diego Mondaca (Bolívia, 25 min)
Coração Negro (Black Heart), de Ada Bligaard Soby (Dinamarca, 23 min)
Escravos ¿ Um Documentário de Animação (Slaves ¿An Animated Documentary), de Hanna Heilborn e David Aronowitsch (Suécia, 15 min)
O Segredo, de Edgar Feldman (Portugal, 25 min)
Segunda Vida (Second Me), de Anna Thommen (Suíça, 19 min)
Zietek, de Bartosz Blaschke (Polônia, 17 min)

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